Uma família hollywoodesca, todavia igualitária

Noutro dia, estava eu a ler numa revista, daquelas cor-de-rosa, que todos os homens dizem que não lêem, conhecendo todavia, o seu conteúdo, e nessa revista uma atriz que afirmava ser da geração Disney. Então fui perceber do que se tratava a geração Disney e é simplesmente a geração que acredita em finais felizes, isto é, acabavam sempre com um “foram felizes para sempre”.

A realidade é que esta geração deixou de acreditar que em Portugal pode haver um final feliz, muitos deles emigraram, outros já não acreditam em finais felizes, os “happy ever after” hollywoodesco, outros nem mesmo sabem do que se trata quando o tema é a felicidade. Portugal continua a ser um país do fado, apesar de algumas publicidades reclamarem que os portugueses mudaram, isso não passa de uma falácia, uma mentira repetida e repetida para que se acredite que mudou.

Por exemplo, em relação a números demográficos, a população na Madeira continua a descer (menos 1752 pessoas anualmente), estes dados são da Direção Regional de Estatística e publicados no JM no último domingo.

Também, noutra notícia verificou-se que a maioria dos pais que têm recebido o cheque bebé o têm utilizado para a aquisição de vacinas para os seus filhos, o que significa que a medida é muito boa e os madeirenses não entraram em modas idiotas de não vacinar os seus filhos, também a redução do valor da creche é uma boa medida, mas, pelos resultados obtidos, não está a ser suficiente. É necessário que exista maior segurança laboral, sendo que na Madeira que a principal indústria é o turismo, uma atividade económica em que os seus trabalhadores têm horários fora de hora, próprios da indústria, mas em que tudo em redor não está preparado estruturalmente para acolher essas famílias.

Por outro lado, são cada vez mais os idosos “abandonados” nos hospitais, aspas porque, na verdade não são esquecidos, derivando a situação de as famílias não terem capacidade de acolher um familiar que afirmam estar pronto a ir para casa, mas que está acamado, que está desorientado, que está com alguma demência, incapazes de viverem sozinho e sem que haja condições, do ponto de vista médico-logístico e laboral (a família exerce uma profissão ao longo do dia. O cuidador informal virá resolver algumas destas situações, mas não resolve tudo, nem pouco nem mais ou menos. É preciso mais locais onde os nossos idosos possam sentir-se em casa.

Nas histórias da Disney a constituição das famílias era mais simples, a vida baseava-se numa estrutura patriarcal incompatível com os novos direitos da igualdade feminina, que, felizmente, hoje existem. Tudo parecia ser mais simples de sentir, mais simples de ouvir, simplesmente mais simples… “casavam e viviam felizes para sempre…”, não havia o problema “onde vou deixar a criança”? De facto, essa simplicidade idílica era incompatível com uma sociedade igualitária. Eram príncipes, tinham amas. Depois não havia problema como cuidar do pai e da mãe que estão acamados e dementes e ninguém tem condições para ficar com eles.

Parece estranho, mas, na verdade, precisamos de um país mais próximo da Disney do género daquele que nos pintarão nos próximos meses que só com eles será alcançado. É esse o país em que quero viver, é essa a terra em que quero ser feliz. “Aqui estarão os bravos, que continuarão a seguir os seus sonhos. Aqueles que terão coragem de atravessar os mares para encontrar a sua nova casa, a sua terra prometida.” Uma nova terra prometida em que a família voltara a ser o centro de uma sociedade, construída, agora, na igualdade de todos os seus membros.