Cheiro a terra molhada

Falar de Cultura eTurismo em Angola é mais do que dizer dança. Música, Artesanato. É falar de um povo que, em tudo o que faz, coloca um pouco da sua alma.

Se vier a Angola, olhe em volta e constate o que dizemos, e, se passar por uma qualquer rua de uma qualquer das cidades angolanas e vir, no passeio, bem alinhadas, tendas enfeitadas com as cores garridas dos panos angolanos, pare. Entre no espaço. Delicie-se e, se puder, compre.

Estes espaços mais não são do que Cultura. Arte. Imaginação. Tradição. São os mercados e feiras de artesanato.

Os mercados e feiras de artesanato estão por todo o lado e são os sítios ideais para se comprar lembranças ou peças de decoração. Há centenas de pinturas expostas no tradicional mercado de artesanato em Benfica, ou na Feira Artesanal na Ilha de Luanda, entre muitos outros. Quadros lindíssimos de mulheres angolanas, de paisagens, palancas, embondeiros e de tantos outros ícones da cultura angolana. O artesanato tem formas sem fim, com esculturas em pau-preto de máscaras, mulheres, pensadores ou animais da savana. Não há ninguém que olhe para um quadro ou uma escultura angolana e fique indiferente, tal é a sua força.

Angola gosta de cor, vida e dinamismo, e estes estão presentes em todos os aspetos da sua cultura artística. Isto está patente também no teatro e na dança. Em Luanda, qualquer pessoa que esteja interessada pode assistir a peças no cine teatro nacional do espaço Chá de Caxinde, LAASP ou Elinga Teatro. Infelizmente, os espaços são poucos, mas, apesar das dificuldades, cada vez há mais grupos e escolas que exploram estas modalidades e muitos, como o grupo de teatro Horizonte Njinga Mbandi ou o grupo de dança tradicional Kilandukilu, já participam em eventos internacionais, levando a cultura angolana além-fronteiras.

Quando alguém vai pela primeira vez a um país diferente e quer descobrir a sua cultura, o seu primeiro pensamento é visitar museus. O Museu da Escravatura ou o Museu das Forças Armadas, ambos em Luanda, ou mesmo o Museu Nacional da Arqueologia, em Benguela, entre muitos outros, são boas opções. Mas a cultura angolana está em todo o lado e todo o país é um museu gigante. Podemos viajar até ao Sul e conhecer os povos muila, mucubal ou mundimba, uma experiência a não perder. Podemos ir ao Huambo ou a Benguela e falar com as pessoas que vendem artesanato e fruta à beira da estrada e pedirmos para nos contarem as suas vidas e histórias. Se pedirmos para nos ensinarem algumas palavras em umbundo, o mais certo é juntarmo-nos às gargalhadas deles quando tentarmos imitar o dialeto.

Angola é também isto: um museu a céu aberto. Quando vier a Angola não se limite às cidades. Entre pela alma do seu povo. Veja. Fale. Converse. Contacte. Delicie-se com um país onde até a terra molhada nos deixa saudades.