O Governo é bilhardeiro

Ponto prévio: O estudo que o Governo Regional encomendou sobre a realidade madeirense deveria ser mais regular para sabermos como está a Madeira e os madeirenses. Parece-me fundamental para entendermo-nos, mas também de alerta a todos os políticos.

Ontem, acredito que o diálogo de muitas famílias em casa foi assim:

- Oh José! Sabias que o Governo encomendou um estudo sobre a gente? – interroga a esposa em casa, enquanto passa os olhos pelo JM.

- Ah sim… Li qualquer coisa… - responde o João, assim sem muito interesse, já que são todos assim…

- Afinal, eu sempre tinha razão, estou a ler o estudo na Internet e diz que há a perceção de existir muita droga e vem de barco, mas não nos arranjam o ferry. Já me viste isto!

- A sério? – incrédulo questiona o João, enquanto se encosta à Maria – Deixa-me cá ver isso!

- Eu bem te dizia que os “horários” estão uma desgraça, por isso peço-te sempre para apanhares-me. Eu saio de casa, aqui na nossa casinha, em São Gonçalo e para ir para o trabalho ali em São Martinho demoro quase uma hora, e tenho que apanhar duas camionetas, afinal não sou a única a dizer mal – argumenta a Maria.

- Eu bem sabia, eu digo-te, tantas e tantas vezes, que ir ao Porto Santo é caro, em especial a viagem, mais valia irmos à Calheta de férias - repara o José.

- Para isso, era preciso existirem unidades hoteleiras suficientes. Olha e isto aqui da educação, eu cá quero que os nossos filhos cheguem à universidade, mas repara que depois não há emprego para eles. Vão ter que ficar no continente, pois não haverá emprego para eles, nem formação para evoluírem. Que tristeza, meu José…

- Tens toda a razão – abana a cabeça, afirmativamente, o José.

- Mas olha, tantas vezes digo que os venezuelanos são os protegidos deste governo, e tanta gente concorda comigo – desabafa Maria.

- Oh Maria, deixa-te dessas coisas, não estás a ver o que passaram esses nossos conterrâneos que tiveram que fugir.

- E mais, sabes o vizinho, o Manel, a mulher e as filhas a viverem de subsídios, de facto é uma pouca vergonha, não querem trabalhar e vivem à nossa custa, mas esses cá são madeirenses – lá começa a bilhardice da Maria.

- Já chega dessas bilhardices, quero lá saber dos vizinhos! – José coloca um ponto final nas bilhardice. - Aprecia-me isto, eu há que tempos que digo no Governo que se ganha mal e estamos abaixo da média nacional, temos produtos mais caros que no continente e estamos a pagar demasiado pela casa, temos que ir negociar com o banco - observa o José.

- Ai meu José, já me viste que não sou a única a gostar do Tony Carreira, nem do nosso presidente, que é um querido.

- Deixa-te de coisas, Maria, não vês que os madeirenses sentem é orgulho no homem que mudou a Madeira, esse sim, é um grande ídolo, o nosso Presidente Alberto João Jardim – conclui o José.

- Olha José, já se faz tarde, vai mas é fazer o jantar que já estou com fome e está quase na hora da novela da TVI.

- Já vou, Maria. Mas tu já me viste que esta malta do governo é mais bilhardeira que tu… - satiriza o José, com aquele seu sorrisinho característico.

Este podia ser o diálogo de qualquer família madeirense, tentei acabar com os estereótipos, tudo o que tem de “estereótipo” são dados do estudo da Aximage.

Quero deixar outros dois destaques:

Primeiro: o Cristiano Ronaldo é a personalidade mais idolatrada pelos madeirenses.

Segundo: os políticos e seus líderes são os menos confiáveis para os madeirenses, bem como os deputados.

Post Scriptum: Quero só fazer um reparo ao estudo e aos técnicos da Aximage: já não existe “presidente da Assembleia Nacional”, pois não acredito que os madeirenses ainda confiem ou não nele, pois esse deixou de existir em 1974, o que existe atualmente é Presidente da Assembleia da República.