O poder de ser... Mulher

PODER. “Verbo transitivo direto: ser autorizado para; possuir o necessário para; estar sujeito a; ter possibilidade(s) para alcançar alguma coisa (conseguir alguma coisa); e.t.c. Verbo masculino: autoridade; ação de governar um país, uma nação; poder caracterizado pelos efeitos que produz (ex:poder judicial); posse; qualidade de algo; caraterística de alguém que é capaz; e.t.c.”.

Definição(ões) disponível(éis) nos dicionários desta vida. Afinal, é função do dicionário traduzir em palavras objetivas parte do significado desta palavra de cinco letras. Mas, se nos aprofundarmos no significado em concreto da palavra, paramos para pensar: o que é, de facto, o poder? Será uma desculpa para os privilegiados terem autoridade sobre pessoas com menos capacidades financeiras? Uma desculpa para não corrermos atrás dos nossos sonhos porque não nos disseram as mágicas palavras de “tu podes tudo”? Uma desculpa para que o outro faça e nós estejamos só a ver? Ou simplesmente uma desculpa para não nos aprofundarmos e mergulharmos de cabeça nesta oportunidade única que é viver porque estamos formatados socialmente a que o homem pode e as mulheres não?

Em nenhum momento no significado daquela palavrinha tão pequena, mas imensamente poderosa, há uma restrição de género ao seu alcance, mas comumente caímos no erro de associar poder à figura masculina. O poder não é algo que se cinja aos homens - estende-se à mulher de igual forma, de igual dimensão e de igual “poder”. Todos os anos comemora-se o dia da mulher, por razões que todos conhecemos, por uma luta eterna pela igualdade de direitos que caminha, devagarinho, em frente. Mas apesar de se fazerem progressos nesta que é uma luta mais voltada para a mentalidade social do que propriamente entre géneros existem vários estigmas a ser combatidos.

No Brasil, nesta altura do Carnaval, houve um movimento que se globalizou nas redes sociais. “Não é não” foi a frase desta semana do Carnaval. Tanto é o poder que o homem acha que tem sobre a mulher, vendo-a como um objeto, fez-se necessário entrevir numa campanha de conscientização das atitudes a terem-se nas festas de Carnaval. Esta questão de possessão, do homem sobre a mulher, não passa de uma mentalidade fechada de uma sociedade, e uma geração anterior, que sempre intitulou a mulher de “ser inferior” ao homem, colocando-a À suscetibilidade do homem. E todos sabemos que mudar mentalidades, já formadas e estratificadas, não é fácil. Mas é NECESSÁRIO.

O poder não é do homem. É, também, da mulher. E homem nenhum devia ultrapassar a noção básica do que é o senso comum. Dois não fazem o que só um quer, como um não faz sozinho o que dois querem. Estas campanhas de conscientização surgem, curiosamente, perto daquele dia em que a mulher ganha destaque - onde, por pelo menos um dia - o mundo para e observa o poder que a mulher tem. As coisas de que ela é capaz, tudo o que as mulheres deste universo já conseguiram conquistar e tudo aquilo que ainda está para vir. Tenho esperança de que não faltem muitos anos para podermos ser mais livres - em todos os países e não só nos de primeiro mundo. Eu entendo que muitas vezes seja uma questão cultural, mas a cultura não deve ser superior aos direitos humanos de cada ser deste mundo.

Dentro de cada uma de nós, no fundo, sabemos que temos poder suficiente para enfrentar este mundo por nós mesmas. A história já nos mostrou isso, embora existam dificuldades que nos possam querer impedir de seguir em frente. Mas cabe a uma de nós, e a cada um deles, perceber que género sexual não define mentalidades, muito menos o caráter de cada um de nós. Neste dia que é tão nosso, que nos celebra de uma forma especial, possamos ser nós mesmas. Que possamos encontrar dentro de nós o poder e o simples ato de sermos Mulheres.