Tornar o dia mais doce

Não sei quem terá instituído o dia de hoje, 11 de Janeiro, como o dia do OBRIGADO. Não aquele Obrigado no sentido de se sentir devedor por ter sido alvo de uma atenção, de uma gentileza ou de um favor, mas tão simplesmente no sentido de mostrar gratidão. Satisfação por uma gentileza. Por um voto de bom dia. Um desejo de boa noite. Os parabéns pelo nosso aniversário.

Gratidão ao homem da padaria, que me vende, todos os dias, pães ainda quentes, acabados de sair do forno. Obrigado ao porteiro do meu prédio que olha em volta, vigilante, enquanto eu entro. E que mesmo depois de eu sair continua preocupado com a minha segurança. Obrigado ao motorista que para antes da passadeira para que eu passe em segurança. Obrigado ao polícia que arrisca a vida para que eu caminhe em segurança. Ao varredor da minha rua por contribuir para o meu bem-estar. Para a beleza do mundo onde moro. Obrigado ao cantor que faz alegria com a voz e os sons. Obrigado ao vizinho que espera no elevador, segurando a porta enquanto eu não chego, ou carrega no botão do meu andar se eu tenho ambas as mãos ocupadas. Obrigado ao amigo que me telefona a desejar-me as melhoras ou vai visitar-me ao hospital.

Obrigado devia ser uma palavra de todos os dias. De todas as horas. Dizer Obrigado pelo que aprendemos. Obrigado até pelos erros que nos ensinam a não voltar a errar. Pela família que nos une. Obrigado a quem nos aconselha ou avisa. Obrigado pelas grandes coisas. Pelas coisas pequeninas que na sua singeleza são pequenos mas importantes sinais que nos guiam.

Obrigado não é uma simples palavra. É um sentimento formado por muitos sentires. Ternura. Amor. Amizade. Participação. Solidariedade.

Dizer Obrigado é reconhecer os outros. É perceber que os outros participam, fazem parte, integram a nossa vida. É reconhecer que o outro é parte e contributo para a nossa satisfação. É ser humilde. Participativo. Reconhecido.

Dizer Obrigado é simplesmente agradecer a todos aqueles que fazem parte da nossa vida só porque existimos. Só porque eles existem.

Dizer Obrigado é estar aqui, a cada semana e saber que, a cada sexta-feira centenas abrem o jornal e talvez se deem ao trabalho de ler o que escrevo. O que já escrevi ao longo de 130 sextas-feiras que 130 são as crónicas que, desta Luanda sempre imprevisível vos enviei. Só por isso o meu OBRIGADO. Dizer Obrigado é tornar, cada dia, num dia mais doce.