Nascer livre para brilhar

Em Abril de 2002 Angola pôde, finalmente, assistir ao fim de uma das mais longas e violentas guerras do século XX. Mas, nem sempre Paz significa o fim dos problemas. Quando, durante anos, os combates impediram que as populações, minimamente, tivessem acesso aos cuidados de saúde, especialmente as mais atingidas pelas zonas de guerra, quando as deslocações contínuas dessas mesmas populações, a promiscuidade inerente à fixação provisória das mesmas, as condições inadequadas dos locais de acolhimento, aumentaram o aparecimento e o recrudescer de doenças e patologias diversas entre as quais o HIV/SIDA que afecta mais de 40 milhões de pessoas no mundo, com quase 30 milhões em África, abaixo do Equador.

Dos 1,8 milhões de crianças entre os 0–14 anos a viver com HIV no Mundo, 1,7 milhões estão em África. Angola tem uma das taxas mais elevadas do mundo em termo de transmissão da mãe para o bebé já que, segundo a Onusida, em 2017, 5.500 crianças nasceram com o HIV e 27 mil crianças até aos 14 anos de idade viveram com o HIV, uma taxa de transmissão estimada em 26 por cento o que significa que, em cada 100 grávidas, 26 crianças nasceram seropositivas.

Era urgente, pois, desenvolver, entre a população angolana, a consciência para a problemática do HIV/SIDA e outras doenças sexualmente transmissíveis em geral, de forma a muni-la de conhecimentos tendentes a aumentar os seus meios de defesa.

Foi com esse objectivo e com o pensamento na melhoria da vida da população do país que, no passado dia 29 de Novembro, Ana Dias Lourenço, mulher do Presidente Angolano, João Lourenço, se comprometeu a envidar todos os esforços para que todas as crianças angolanas nasçam livres do HIV e as gestantes seropositivas recebam tratamento para a eliminação da transmissão de mãe para filho, na apresentação da campanha “Nascer livre para brilhar”, que teve início no dia1 deste mês, na província angolana do Moxico.

Angola torna-se, assim um dos 21 países prioritários para a implementação do “Plano global de eliminação de novas infecções por HIV em crianças e manter as mães vivas”, devido à baixa cobertura dos serviços de prevenção e pediatria.

O plano nacional para eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho visa acelerar o combate ao HIV/SID 2019-2022, tendente a reduzir a taxa de transmissão, de mãe para filho, para metade até 2022 e reafirmar os objectivos 90/90/90, ou seja, que 90 por cento das grávidas sejam testadas, 90 por cento das grávidas positivas sejam tratadas e 90 por cento das grávidas testadas tenham a sua carga viral indetectável, até 2022.

Angola compromete-se, assim, a lutar, lado a lado com o resto do mundo, pelo combate à SIDA, uma das piores epidemias do nosso tempo.