E o mundo não acabou

E chegámos a 2018. E o mundo não acabou. Não acabou como preconizaram, uma vez mais, videntes, profetas, oráculos e pitonisas dos tempos modernos. Todos temos consciência de que o nosso Planeta está doente. Culpados? Nós próprios. As nossas inconsciências, ou consciências pouco atentas à fragilidade deste local que habitamos.

“Infelizmente, quatro décadas passadas desde o momento em que se designou internacionalmente um dia para celebrar o Planeta Terra, os dados indicam que o caminho percorrido não tem ido no bom sentido e a nossa capacidade de conhecer e respeitar os limites da sustentabilidade do Planeta não tem progredido”, alertam os ambientalistas e dizem mais, que os dados mais recentes apontam para que a civilização humana esteja “prestes a causar um cataclismo de magnitude planetária, de que as alterações climáticas são apenas um dos sintomas”.

“O actual sistema de produção e consumo intensivos pode ser comparado à imagem de um cometa em rota de colisão com o Planeta Terra. Para já estamos a sentir apenas a chegada de pequenos fragmentos que acompanham o cometa principal. Contudo, a aproximação é rápida, pelo que o tempo para reagir começa a escassear”.

Actualmente a produção e consumo a nível global excede em 40 por cento a capacidade de carga do planeta, pelo que seriam necessários 1,4 planetas para suprir as necessidades.

Mais de três quartos da população não consegue produzir dentro das suas fronteiras os recursos que consome, nem desfazer-se dos resíduos que produz.

A pegada ecológica do cidadão europeu ocupa, em média, 4,6 hectares globais e a de um cidadão dos EUA 9,6 hectares globais, quando a disponibilidade global é de 1,8 hectares globais per capita, afirma a Quercus.

“Este desrespeito pelos limites do planeta Terra acontece quando apenas mil milhões de pessoas têm uma vida abastada, mil a dois mil milhões vivem em economias de transição e cerca de três a quatro mil milhões sobrevivem com apenas alguns euros por dia”.

Por isso, os ambientalistas deixam um alerta: considerando que a população mundial em 2050 terá previsivelmente crescido dos actuais 6 mil milhões para 9 mil milhões, será necessário que os europeus reduzam a pegada ecológica para 25 por cento da actual e os EUA para 10 por cento.

Pois é, começar o ano com esta carga de desalento parece pouco encorajador, mas, na verdade é tempo de olharmos para trás e mudar o futuro. E como?

Fica difícil saber por onde começar. Talvez pareça que as ações de uma única pessoa, você, não façam diferença, mas na verdade, há várias formas através das quais cada um de nós pode ajudar começando por uma mudança de hábitos e levando outros a fazê-lo.

Economize água em casa. Use menos substâncias químicas. Não lance, pelo ralo, quaisquer resíduos tóxicos. Reduza o consumo de energia. Utilize o automóvel o menos possível. Compre produtos locais pois assim não precisa de se deslocar para locais distantes e contribui para a diminuição das importações. Junte-se a grupos preocupados com a plantação de árvores e com a protecção da natureza. Evite os desperdícios. Separe os lixos.

Esperemos, pois, que 2018 seja um ano de atenção e de Amor por este nosso “pequeno mundo”, este minúsculo planeta privilegiado com o milagre da vida.

Temos o Planeta nas nossas mãos.