Feliz ano novo

“Para o ano” é um lugar desabitado, uma espécie de ilha deserta, um lugar de deslumbramentos, um sacrário de sonhos e de possibilidades. Queremos muito acreditar que, nesse tempo-lugar, tudo é possível: a saúde perfeita, o corpo certo, uma vida nova e a felicidade.

Quando janeiro chega, com fogos e luzes, o “para o ano” perde a proposição, recebe, de presente, o adjetivo “novo” e passa a ser um lugar para se viver. Escrevemos, então, os nomes de quem amamos, sentamos os sonhos no colo e pomos-lhes um coração à volta. Aquecemo-nos com eles, na certeza de os queremos dentro de nós, o ano inteiro. E vamos.

Encontramo-nos, hoje, com os reis. Eles sabem o caminho. Seguem uma estrela que nós nem sempre vemos, porque as noites do mundo têm demasiadas luzes. Eles sabem que, no lugar para onde se dirigem, há Alguém que é Rei, que é Deus e que é Homem. Eles sabem o que procuram.

Para nós, hoje, é também dia de ir. E de levar tudo o que somos para oferecer ao Menino Jesus que ainda dorme nas nossas casas: o ouro do nosso trabalho, o incenso da nossa alma e a mirra da nossa humanidade. Belém fica ali, ao alcance do nosso coração. É lá que mora a nossa esperança. Só temos de olhar para os sinais e seguir o trilho que os reis deixaram no chão de janeiro.

O ano ainda está em botão. Como as rosas. E há de abrir. Como as rosas. Despindo, uma a uma, as doze pétalas, porque os anos são mais rigorosos do que as rosas. Talvez menos poéticos, mas mais rigorosos. Mas igualmente completos, entre veludos e espinhos, entre o chão e o céu, entre raízes e sonhos.

Em janeiro, ainda ninguém diz “para o ano”, porque “para o ano” voltou a ser um lugar desabitado. Em janeiro, só se diz “Feliz ano novo!”.

Hoje, retomamos o caminho de Belém. Antes da última pétala do ano cair, será Natal, outra vez.

Repare! A estrela vai ali. Vamos juntos?