A “Nova Jerusalém” Russa

Os textos bíblicos do Antigo e Novo Testamento, só foram conhecidos nos territórios da igreja ortodoxa russa depois do século décimo, na cidade de Kiev. Estas edições sempre sofreram obstáculos. Constantinopla exerceu a sua ação missionária na conversão e batismo do primeiro rei Vladimir, tendo enviado missionários, ícones e textos litúrgicos para a cidade de Kiev, sendo dois filhos do rei os primeiros mártires, num tempo em que ainda não se tinha formado a nação russa. Segundo estudos recentes, o Novo Testamento em língua russa moderna apareceu no ano de 1768 e foi proibida na revolução bolchevista, tendo a Bíblia uma ação limitada na cultura russa.

Contudo, isto não significa que o conhecimento da Bíblia não fosse conhecido na liturgia, nos mosteiros, pelo contrário, tanto em Kiev como em Moscovo, nos religiosos e nos letrados e, principalmente, na santa liturgia, era comum o uso da Bíblia, não em russo, mas na língua eslava oriental.

No século XVII o Patriarca de Moscovo Nikon erigiu ia sua “Nova Jerusalém” junto da capital Russa, projeto monumental com todos os lugares santos dedicado à Ressurreição do Senhor.

No Brasil, aconteceu cousa semelhante com a ereção do Templo de Jerusalém, pelo fundador de uma seita, com “sacerdotes” vestidos a preceito, e todos os objetos sacros dedicados ao culto do Antigo Testamento

O povo judeu também suspira por um novo Templo em Jerusalém, mas o lugar escolhido por Deus, onde o rei Salomão, filho de David, construiu o célebre monumento que as tropas de Nabucodonosor destruíram quando tomaram a Cidade Santa e levaram prisioneiros o rei, a família real, os nobres e grande número de judeus. Desde essa época desapareceu a Arca da Aliança.

Em relação a Nikon, Patriarca de Moscovo, em 1666 convocou um Concílio em Moscovo na presença de dois patriarcas orientais, Macário III de Antioquia e Paisios de Alexandria, que destituíram da sua Catedral o Patriarca de Moscovo, que foi exilado.

Uma das faltas que lhe foram imputadas foi que ele tentou substituir à Jerusalém Cidade Sagrada para todos os cristãos, uma outra cidade santa, edificada nos arredores de Moscovo, designada como “Nova Jerusalém”, no coração da qual tinha construído um templo chamado da Ressurreição. 

Os acusadores diziam que ele tinha violado uma lei divina revindicando para si uma ordem divina e subvertendo a organização eclesiástica. A decisão de Nikon apareceu como uma tendência para desviar para a sua própria pessoa a veneração devida aos profetas da Palestina, prefigurando a vinda do Anticristo.

Nikon, ficou impressionado pela paisagem e geografia da sua Jerusalém da Terra Santa, com o Monte Sião, o vale do Cedron e até o rio Jordão. A primeira consagração da Igreja desta Palestina russa tinha sido já feita em 1657 na presença do Czar Aleixei Mikhailovich que ficou tão encantado que deixou gravado numa carta: “O Senhor dignou-se desde a origem preservar este lugar para que nele fosse construído um mosteiro ...porque se assemelha pela beleza a Jerusalém.”

O Czar louvou os herdeiros dos imperadores bizantinos os “piedosos czares gregos.”  Desde 1652 o Czar Alexei, fundou um mosteiro sobre o lago de Valda que se assemelhava ao grande mosteiro do Monte Athos. Em 1656 o czar recebe solenemente do mosteiro do Monte Athos “a cruz de Constantino” o grande imperador de Constantinopla, cruz que seria levada nas suas campanhas guerreiras.

A missão do imperador era igual à dos apóstolos, recebia a herança dos imperadores bizantinos. As relações entre o Czar e o Patriarca Nikon modificaram-se, o patriarca retirou-se para a “Nova Jerusalém” onde dirigia os numerosos trabalhos, vivendo neste lugar santo até ser enviado para o exílio em 1566.

Nikon pretendia construir 365 capelas, uma para cada dia do ano. Os peregrinos começaram a chegar à Nova Jerusalém, louvam a cidade e a sua beleza. A Palestina Russa tinha 72 quilómetros, mas aumentou ainda com o Monte das Oliveiras e o Monte Tabor.

O Czar Boris Godounov (1598-1605) pensou construir no Kremlin uma igreja da Ressurreição.

Moscovo alimentava um novo sonho, porque não ser chamada a segunda Roma?

Constantinopla tinha caído na mão dos turcos muçulmanos, já não era cristã, a única cidade que podia tomar o segundo lugar era Moscovo, tanto mais que possuía a Nova Jerusalém turca, mas as igrejas ortodoxas não permitiram; a segunda Roma seria Constantinopla, ali reside até nossos dias, o Primeiro Patriarca ortodoxo. Moscovo continuaria a ser chamada a terceira Roma, por algumas igrejas ortodoxas. O atual Patriarca de Moscovo conseguiu atrair algumas dioceses da Ucrânia que não se sujeitaram a Moscovo e preferem unir-se a Constantinopla, o que é muito doloroso para a cidade dos antigos e “novos” czares. (N.B. Alguns destes dados foram tomados da Revista “Le Monde de la Bible”).