Sobre Fátima (outra vez)

Há um silêncio que veste Fátima de branco e que, por um qualquer motivo que a razão não explica, nos faz acreditar que Deus olhou para aquele lugar, de uma forma particular.

É a Mãe [que é de lá, mas que é de nós] que nos recebe, depois de termos enfrentado as agruras dos caminhos, depois de nos termos derramado no chão, depois de termos morrido muitas mortes e de termos recolhido a esperança que a fé nos propõe.

Cem anos depois daqueles dias de 1917, voltamos, de algum modo, a experimentar a proximidade com a Voz que explicava, “Sou do Céu” e que não é mais do que a promessa de uma “janela de esperança que Deus abre quando o homem lhe fecha a porta”, como disse o Papa Bento XVI, quando veio aqui em 2010.

Cem anos depois, dois santos-meninos que nos trazem a memória da inocência e a presença do Papa Francisco, mensageiro da paz e homem de abraços.

Fátima é um lugar feminino. E tem uma luz doce que pousa no coração de cada peregrino que, ali, se sente em casa e regressa ao colo da Mãe, sabendo que, por Ela, o caminho para Deus é mais doce e mais direto.

Os olhos do mundo ajoelham-se, hoje, em Fátima. E, apesar do que se tem falado e escrito sobre as semânticas de Fátima, sobre os negócios de Fátima, sobre verdades da Verdade, estaremos lá. Todos. Pedindo à Mãe que não nos deixe cair na tentação de nos perdermos de nós, de nos perdermos da esperança.

Passaram-se cem anos. E continuamos a ir. Fátima é um lugar de ir. E de ficar.

Hoje, em Portugal, reza o mundo. Hoje, em Fátima, é por ele que se reza.