A Igreja Copta

O Papa Francisco visitou o Egito para apoiar os cristãos que estão a ser perseguidos por causa da sua fé cristã. No passado mês de abril do ano 2017, o Papa realizou uma viagem apostólica após um atentado de grupos islamistas radicais contra a Igreja Copta com a morte de dezenas de cristãos. O Papa visitou o Patriarca Tawadros II, Patriarca da Igreja Copta. Disse o Papa que o caminho ecuménico, de uma maneira misteriosa é sem dúvida atual, devido a um verdadeiro “ecumenismo de sangue”.


Quem são os cristãos coptos do Egito?

Copto é uma palavra que provem do grego e significa egípcio (aigyptos/guptos) e aplica-se à cultura, escritura e religião tradicional do Egito antigo, conservado desde o século I d.C. até à atualidade. São cerca de 10 milhões de cristãos,10% da população atual do país. Os coptos sentem-se herdeiros do Egito dos faraós, com suas pirâmides e hieróglifos, sua religião e estado, conservam na sua liturgia o idioma evolucionado e fixado no I século antes de Cristo, embora escrito com grafia grega. São também herdeiros dos judeus que, segundo a tradição, habitaram no Egito desde o segundo milénio a.C. Com a conquista de Alexandre Magno (332 a.C.) muitos judeus estabeleceram-se no Egito, principalmente na cidade de Alexandria, tendo ali traduzido a Bíblia em grego, chamada tradução dos Setenta.

Os coptos são também herdeiros dos gregos que conquistaram a terra em 332 a. C. Durante mais de 299 anos, o Egito foi um país bilingue até à chegada dos árabes no ano 642 D.C. Os primeiros cristãos utilizaram a língua grega, sendo esta a sua língua oficial até ao século VI d.C.; desde o século II d.C. a língua e escritura copta estendeu-se cada vez mais, devido em parte a ser usada na liturgia, embora na vida civil fosse substituída pelo árabe.

O evangelista São Mateus narra a vinda da família de Jesus para o Egito, para fugir à mortandade de Herodes nos meninos de Belém. Neste país viveram depois os maiores filósofos e teólogos cristãos como Orígenes, Santo Atanásio e São Cirilo. Esta Igreja tem um poder não só cultural, mas também político até à chegada do Islão no século VII.

Floresce também ali uma igreja mais espiritual que se exprime no movimento eremítico e monacal, surgindo nas zonas meio desertas até nossos dias, junto de Tebas com os santos populares Santo Antão, pai de todos os eremitas, santo Onófrio e São Serapião que superaram todas as igrejas da cristandade. Surge um cristianismo de livros, dos papiros, até dos grandes manuscritos.

O testemunho mais antigo do cristianismo, é um fragmento do papiro de São João chamado P 52, papiro Rylands do ano 120/130 d.C. que mostra como já se liam e copiavam os evangelhos cristãos que, devido ao clima seco, se conservaram até hoje.

Do Egito provieram os três códices mais significativos da Bíblia cristã: o Sinaítico do séc. IV, com correções posteriores, proveniente do Mosteiro de Santa Catarina no Monte Sinai, conservado agora em Leipzig; o códice Vaticano do séc.V, conservado na Biblioteca do Vaticano contendo a Bíblia grega com o Novo Testamento e alguns apócrifos, é o testemunho mais importante da história do cristianismo; o Alexandrino, séc. V conservado no Museu Britânico de Londres. Finalmente, o códice Efrém Rescrito, palimpsesto, ou seja, texto escrito sobre um texto anterior defeituoso, que se conserva na Biblioteca Nacional de Paris.

Estas são as “Bíblias Gregas” completas, escritas em forma de livros. Elas mostram um cristianismo de catequistas e teólogos. Aqui floresceram diversas escolas de tipo catequético e teológico. Nem Roma nem Constantinopla tiveram nos séc.- III e IV uma teologia comparável a esta. Em Alexandria nasceu a escola de Catequese mais importante do cristianismo primitivo, aqui organizou-se a capital da catequese cristã; dessa escola chamada Didaskálion fala com admiração o historiador Eusébio de Cesareia que nos diz ter sido fundada por São Marcos. Aqui se começou a estudar o cristianismo num sentido “científico,” ou seja, fé e razão.