Dia de visita

No passado domingo fui fazer uma visita. Vesti-me e arranjei-me um pouco melhor do que nos outros dias em sinal de respeito e consideração pelo dono da casa que ia visitar.

Fui a pé e cheguei antes da hora marcada. As portas da frente estavam abertas e o sol entrava abundantemente, como um tapete de luz indicando o caminho. Lá dentro já estavam outras visitas admirando as flores e as velas acesas.

Ao fundo, havia uma mesa grande com uma toalha de linho branca.

Escolhi um lugar num dos bancos corridos e sentei-me ao lado de pessoas que não conhecia mas que cumprimentei com um aceno de cabeça.

Ao fundo, de pé, um senhor grisalho e de óculos mantinha uma expressão séria e carregada, como alguém que desempenha contrariado as suas tarefas.

A certa altura ele começou a falar connosco e pouco depois fez sinal a uma senhora que se levantou e veio contar-nos uma história.

A seguir veio uma jovem que recitou um poema e pediu-nos para repetimos algumas partes em voz alta.

Fui olhando em redor, admirando as pinturas e esculturas que retratavam o dono da casa quando era jovem e também a sua família e os seus amigos.

Enquanto o senhor de túnica verde falava, reparei em alguns rostos à minha volta. Uns pareciam alienados e distantes, outros compenetrados e sisudos, e as crianças, nitidamente impacientes.

Fiquei entretida a imaginar o que lhes ia na cabeça e pareceu-me que todos os presentes, incluindo eu, estavam apenas à espera que o tempo passasse, ocupando as suas mentes com as coisas mais variadas.

Quando já tinha passado cerca de uma hora, todos começaram a levantar-se para ir embora com mais ou com menos pressa, sozinhos ou acompanhados.

Eu fiz o mesmo enquanto pensava no que seria o meu jantar...

No passado domingo fui fazer uma visita e não encontrei o dono da casa.

Ele disse uma vez: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. Mas acho que naquele dia nenhum de nós fez por merecer a Sua presença.