Muda de folha

Ainda é verão por mais uns dias mas não tarda nada entraremos no outono, a estação dominada pelo castanho e pelo dourado, graças às muitas árvores que enchem de folhas secas o chão à sua volta. Para as plantas de folha caduca, ao contrário das de folha perene, é preciso passar por esse processo anual de ‘despejo’ para que possam nascer folhas novas na primavera.

Aproveitando o calendário da natureza, também eu faço a minha renovação pessoal no outono. Há muitos anos que é assim e conheço pelo menos mais uma pessoa que também o faz.

As férias funcionam como uma pausa para reflexão, só possível e produtiva porque longe de casa e do trabalho. Estar num sítio diferente para poder pensar em como ser e fazer diferente. Ausentar-se do que é ‘conhecido’ para poder explorar caminhos para o ‘desconhecido’.

Mais do que nos dias que antecedem o dia 31 de dezembro, é quando termina o verão que me sinto mais inclinada para pensamentos balanço e de reorganização. Com mais entusiasmo e clareza de espírito, ponho-me a fazer listas de projetos, listas de desejos, listas de coisas a manter e a deitar fora. Muitas das coisas que coloco nessas listas ficam pelo caminho, não chegam a concretizar-se e nem sequer voltam a aparecer na lista do ano que vem. É normal, nem tudo passa de intenção a ação.

Talvez para as árvores, pelos anos de prática, seja mais fácil mudar de folha. Mas para nós é trabalhoso. Há desculpas prontas, argumentos fantásticos e gratuitos, prontos a serem usados para justificar o baixar de braços. É tentador, está tudo ali à mão e é só escolher os melhores e fazer deles escudos e escusas. Mas depois, seriam outros a florir na primavera.