Tempos de pandemia: água com chocolate!

Neste tempo, ou, como dirão as escrituras no futuro, “naquele tempo do covid-19”, nasceu o Dinis Afonso, o meu segundo filho, isto já aconteceu há 4 meses, ainda antes de quaisquer férias, mas em tempo de confinamento. Por isso, apesar das dificuldades que todos tivemos, foi uma enorme felicidade para a nossa família.

Por isso e pelo covid-19, aproveitámos e passámos os dias de férias cá dentro, a começar no Engenho Velho, no magnífico concelho da Calheta, aproveitamos ao máximo a piscina, pois com o outro filho de 4 anos, ele só podia querer estar na piscina e brincar. Foi fantástico, dias fabulosos, sol resplandecente.

Após esses dias, aproveitamos para redescobrir museus, na verdade para o meu filho Eduardo, foi mais um a descobrir, fomos navegar no barco dos “piratas” como o designa o Eduardo Henrique, de facto, foi na nau Santa Maria. Uma aventura digna dos descobridores de água doce, mas, por via das dúvidas, levámos uma espada de plástico para afugentar qualquer pirata que se aproximasse do nosso barco.

Também aproveitamos e fomos recriar cenários 3D no museu 3D Art, sonhamos que íamos numas férias para longe, mas só na asa do avião, já estávamos a passar o Aeroporto Cristiano Ronaldo, tivemos numa casa de pernas para o ar ou seríamos nós que estávamos de pernas para o ar? Rimo-nos muito.

Fomos ao museu da Fotografia em que tivemos oportunidade de estar em cenários do antigamente, confesso que faltou aqueles fatos, que todos na minha meninice tivemos, de marinheiro, o meu filho não tinha, mas teve oportunidade de tirar uma foto num cenário marítimo. Também tirámos uma foto num balcão, aqueles de fotos antigas, que simulam colunas de varanda de cimento. Faltava-me o bigode e chapéu de palha para parecer estar em séculos passados.

Passámos ainda no Museu da Eletricidade – na Casa da Luz, o Eduardo Henrique gostava de carregar nos botões, pensando que acontecia qualquer coisa, ver a evolução dos lampiões, entender a luz criada pelo vento, mas o que ele gostou mesmo foi das experiências, entender que materiais faziam acender a luz e também passar o “ferrinho” naquela forma de coelho. Também gostou de ver-me a pedalar com tanta e tanta força para ver todas as luzes acesas e rodar a ventoinha…

Passámos também no Museu do Brinquedo, do Arquiteto José Manuel Pereira, em que se viu os milhares de brinquedos expostos e em que ele ficou apaixonado por um triciclo que para andar mexia-se os braços em vez das pernas. Tudo feito em visita guiada pelo próprio arquiteto, deu para sonhar e ver brinquedos da minha infância, mas também da infância dos meus pais e avós.

Aproveitamos e também brincamos no Aquaparque em que descemos a alta velocidade nos escorregas, bem como vimos o espetáculo de aves de rapina e tivemos no colo uma cobra albina.

Passeamos pelas serras, passeamos à beira mar, passeamos no mar, rimos, divertimo-nos, aproveitamos o sol, aproveitamos e vivemos a nossa ilha, mas voltamos a redescobrir espaços que raramente visitamos.

Apesar das férias terem acabado, ainda nos falta aproveitar os fins-de-semana para visitar mais museus, para percorrer mais estradas, mais veredas e mais campos verdejantes, bem como subir acima das nuvens e termos a ilha a nossos pés.

Ah… é verdade, quando perguntei ao Eduardo Henrique sobre o que devia escrever nas férias ele disse: “fala de chocolate…” De facto, é algo que gostamos muito cá em casa, de chocolate! Foram dias como água com Chocolate, para usar um famoso título! Na memória do futuro deles, os pequenos, talvez só fique isso, mesmo sabendo que foram tempos de covid, queira Deus. Oxalá!