Acorda Portugal, é a hora!

Admitir, por qualquer motivo, estar ao lado de alguém que defende a divisão social como objetivo, a divisão entre o mesmo povo, até o racismo, a xenofobia e mais, alguém que, em direto, defendia a alegada corrupção de algumas SADs, parece-me óbvio que os eleitores social democratas nunca votarão num PPD/PSD que se coligue com um escroque daquela espécie. Mas a vontade de ir na onda populista parece crescer. Normalizar o Chega é um erro, é um erro político, é um erro enquanto país e, pior que tudo, é a demonstração de que os políticos que estão nos tradicionais partidos falharam, falharam enquanto políticos, falharam enquanto cidadãos.

Todos admitimos que o estado a que o país chegou necessita de uma revolução, em que os partidos deixem de servir os interesses de sociedades secretas e financeiras. Portugal é mais que isso.

Alguém acredita que os 45 mil milhões de euros do plano de retoma da União Europeia servirá mesmo os portugueses? Acredito que sirva para alguns, mas não para todos. Portugal, com esta oportunidade, que poderá ser a última, devia fazer reformas estruturais no país, por exemplo na saúde, não é só construir, mas sim criar condições para que existam mais profissionais de saúde, mas também criar uma política de prevenção da saúde. Não podemos continuar a gastar milhões numa política de combate às doenças, quando as mesmas podiam ter sido prevenidas. É claro que aqui existem os lobbys de farmacêuticas.

O Estado tem de investir numa linha ferroviária, não em empresas de comboios, tem de criar caminhos de ferros que nos ligue à Europa e nos ligue todo o nosso país de forma igual.

Como se pode pensar em construir um novo aeroporto em Lisboa, quando o de Beja está abandonado, aqui existe o lobby da ANA e do centralismo do país.

Como podemos ser exportadores sem uma linha ferroviária desde o Porto de Sines para o resto do país e para a Europa?

Na educação: o parque escolar foi uma festa, mas continuamos a ter escolas degradadas, professores sem condições decentes e com ordenados miserabilistas num país que devia primar pela educação. Durante o confinamento, os pais perceberam como é difícil ser professor.

Como podemos falar em investir no mar, quando nem temos linhas marítimas para as nossas ilhas, aqui estão mais uma vez, os lobbys a funcionar. Ah… e a frota pisqueira? Qual?

Em relação à energia continuamos a investir mal, isto é, vendemos a REN, mas não temos concorrência; quanto mais investimos em energia renovável, menos vemos baixar a fatura da luz. E agora vamos investir no hidrogénio, queremos estar na vanguarda, quando a tecnologia, neste momento, não compensa esse investimento.

O mesmo acontece com o cabo submarino que foi entregue à PT em que a mesma diz quem pode entrar ou não no mercado regional. Só agora é que se pensa num novo cabo. Não conseguimos ter uma concorrência séria.

No meio disto tudo: basta! Alguém acha, que como estão os atuais partidos, são a solução para Portugal? Desengane-se. Chegarão 45 mil milhões a Portugal, mas não chegará um cêntimo aos portugueses e todo esse investimento, tal como as autoestradas, serão entregues a interesses ilegítimos e depois pagaremos com a alegada desculpa do “utilizador pagador. Será isto que acontecerá inexoravelmente. Apetece, neste momento de incerteza, citar Pessoa: “Ninguém sabe que coisa quer./ Ninguém conhece que alma tem,/ Nem o que é mal nem o que é bem./(Que ânsia distante perto chora?)/Tudo é incerto e derradeiro./Tudo é disperso, nada é inteiro./Ó Portugal, hoje és nevoeiro.../É a hora!”

 

Post Scriptum: Rui Pinto deixou finalmente a prisão, a PJ elogiou a colaboração e a juíza libertou-o, o Ministério Público não gostou. Um dia após a sua saída, já se fala em algo fraudulento com passagem na Madeira. Que não aconteça como os Panamá Papers, que os fundadores já cumpriram a pena e em Portugal nada aconteceu.