Um problema à nossa porta

Num tempo em que o mundo despertou, por causa de um crime considerado de ódio racista, perpetrado pela polícia americana contra George Floyd e se ressuscitaram os velhos tempos da escravatura e com eles se fizeram relações actuais e do passado, o mundo, os órgãos de informação, parecem ter esquecido uma realidade dos nossos tempos que,  pelos contornos de que se reveste, pode ser, é, uma nova forma de escravatura. De violência não apenas racial, mas generalizada, o Tráfico de Pessoas, um crime atroz que afecta todas as regiões do mundo. Cerca de 72% das vítimas de tráfico humano detectadas são mulheres e meninas e, de acordo com as Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a percentagem de crianças vítimas deste crime não deixa de aumentar. A maior parte das vítimas é traficada para exploração sexual, seguindo-se o tráfico de pessoas para trabalho forçado, o recrutamento de menores para servirem como crianças-soldados, venda de órgãos e outras formas de exploração e abuso.

Os traficantes e os grupos terroristas exploram pessoas vulneráveis, confinadas à guerra, que vivem na pobreza e que sofrem de discriminação.
Em 2018, Nádia Murad foi a primeira vítima de tráfico humano a ser Embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas e a receber o Prémio Nobel da Paz por catalisar a acção internacional para acabar com o tráfico e a violência sexual em conflitos armados.

Um dia de indiferença ao abuso e à exploração é um dia que pode custar a vida a muitas vítimas quase sempre fruto da ganância de empresas que beneficiam da miséria das pessoas, empresas que vão desde o sector da construção até empresas de produção de alimentos ou bens de consumo e empresas ligadas ao ramo da medicina.

Hoje, dia 30 de Julho é o Dia Mundial Contra o Tráfico de Pessoas um crime que afecta os países do mundo inteiro, seja como país de origem, de trânsito ou de destino das vítimas. No Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, a Organização das Nações Unidas (ONU) pediu, à comunidade internacional, respostas urgentes ao tráfico de pessoas.

"O tráfico de seres humanos assume muitas formas e não conhece fronteiras. Os traficantes de seres humanos agem muitas vezes com impunidade e os seus crimes recebem pouca atenção. Isso precisa mudar" como afirmou, como  Secretário-Geral da ONU, António Guterres.

Todos nós, porém, temos a responsabilidade de prevenir, de deter denunciar, o tráfico de pessoas e proteger a saúde, o bem-estar e o potencial de todas as crianças, jovens, homens e mulheres, de acordo com o seu direito à vida e à liberdade.

Dia 30 de Julho. Um dia para reflectirmos num problema que podemos julgar longe de nós, mas que, antes pelo contrário, pode estar ali mesmo.
À porta de cada um de nós.