De Fátima

Estive em Fátima. Peregrina. Todos nós somos peregrinos em Fátima. Há, naquele lugar, qualquer coisa que nos impele a caminhar, no silêncio de nós, à procura de quem somos, à procura da nossa relação com Deus.

Em Fátima, os caminhos mais importantes são os de dentro. E isso é fundamental para nos sentirmos em paz. Estive lá. Livre. A sós com a Senhora e comigo, apesar da multidão que, por estes dias de abril, já vive o Centenário. Tive os olhos luzentes da chama que segurei na noite e fui, no vagar de quem tem (todo) o tempo, percorrendo a (minha) vida e a vida de todos aqueles que me pediram que levasse recados à Mãe. E levei: os seus, os seus e os seus… Posso garantir-vos que os levei direitinho, porque eram iguais aos meus.

Em Fátima, o silêncio tem corpo. E abraça o peito de quem, como nós, corre atrás da morte, sem tempo para estar, para escutar, para contemplar, para estar naquele coração com coração que, ali, é possível. Em Fátima, o silêncio tem cor: é branco e entra nos olhos sem pedir licença, porque quem vai a Fátima vai à procura da esperança: “Não desanimes. O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.

Em Fátima, a vida desfia-se nas contas do rosário e os olhos derramam, no chão, o que os joelhos choram, o que os braços seguram, o que a dor suplica. E reza-se. Independentemente do que acontece lá fora, da preparação do centenário, da visita do Papa Francisco, da canonização dos pastorinhos, reza-se em Fátima, vive-se uma espiritualidade que não é comum em outros lugares.

Em Fátima, no coração de Fátima, reza-se em todas as línguas… O mundo inteiro reúne-se ali. Seremos todos ignorantes?

PS. A Mãe manda dizer que não tenha medo, que vai cuidar de ti.