O resultado de uma equação distinta

Aproximadamente, somos cerca de “sete vírgula sete” bilhões de humanóides por este mundo fora. É de conhecimento geral que o planeta Terra alberga vários pedacinhos de terras que formam continentes, países e cidades. Nesses lugares existem pessoas de diferentes etnias e culturas distintas. Espalhadas pelos quatro cantos do mundo, cada uma com a sua forma de ser, de estar, de sentir, de viver. Em sete bilhões de pessoas é irreal ponderar sequer que somos todos iguais… ou que a igualdade total em termos de personalidades, ideias e pensamentos é exequível. Não vamos todos concordar com o mesmo e é na aceitação de que essa diferença existe que encontramos o caminho para a igualdade que realmente interessa: a dos direitos humanos.

Sucede que na vida somos todos produto das experiências que vivemos, somadas com predisposições genéticas e um pouco de algo que não se explica por palavras. Nesta equação torna-se improvável que todos os resultados sejam os mesmos - que através dessas influências externas e internas sejamos pessoas que pensam igual. Por isso mesmo, entender que todos temos gostos, crenças e ideologias distintas devia ser uma generalização positiva na sociedade em que nos inserimos. Preocuparmo-nos com a vida do outro diz muito mais sobre aquilo que damos de nós à nossa do que outra coisa qualquer. Há tanto com que nos preocuparmos neste mundo, face ao cenário que vivemos, que a vida alheia não deveria ser tão esmiuçada como é nos dias que correm.

Dizer que ninguém é mais do que ninguém poderia ser algo mais óbvio de ser dito, do que o que realmente é, porque ainda vivemos e estamos perante constantes manifestações de superioridade racial (por exemplo) que são absurdas no século que hoje vivemos.

Nesta nossa vida existem incontáveis situações sobre as quais não temos controlo. Pandemias, catástrofes naturais, doenças súbitas… até mesmo não temos controlo sobre os nossos sentimentos. Na verdade, somos seres tão frágeis e vulneráveis a diversas influências exteriores que me custa a crer que hoje em dia ainda temos a ilusória ideia de que somos donos da razão, donos de tudo… Essa ideia de superioridade a diversos níveis é altamente ilusória e maléfica.

Abraçar a diferença que existe em termos culturais, ou até mesmo unicamente em termos pessoais, é aceitar que enquanto seres humanos não somos todos iguais. E é através da aceitação dessa diferença que alcançamos a igualdade de direitos humanos, que em nada obriga o outro a ser como nós, mas dá-lhe, efetivamente, o direito de ser tal e qual como verdadeiramente é.

Joana Gonçalves escreve

ao sábado, de 2 em 2 semanas