Em busca da onda perfeita?

Por vezes chegam-nos, pelos jornais ou pela internet, notícias que nunca gostaríamos de ler. De factos que nunca gostaríamos que tivessem acontecido. Quando, de um segundo para o outro um homem, uma mulher, decidem, muitas vezes por razões que só eles entendem ou conhecem, deixar, de forma violenta este planeta que habitamos, é tempo de reflectirmos os porquês, os sins e os nãos de tal atitude.

Foi o que se passou comigo quando li, aqui, mal liguei o meu PC, a notícia da morte do Pedro Lima. No primeiro momento dei comigo a pensar como é que um exímio nadador, do qual me lembro aqui em Luanda, campeão de natação de muitos torneios com medalhas de ouro, representante de Angola em dois Jogos Olímpicos, podia ter morrido numa praia, que nos leva, de imediato a pensar em afogamento.

Mas afinal não foi bem assim. O Pedro, homem amante de mar, das ondas perfeitas, surfista de corpo e alma, partiu voluntariamente em busca da tal onda perfeita. Talvez, quem sabe, porque o mundo, os tempos difíceis que estamos a viver, o tenham desafiado a procurá-la lá onde os mares e os céus se confundem numa linha imaginária. Um desafio certamente difícil de enfrentar. Ainda mais difícil de vencer. Ou será de perder? Quem sabe que onda estaria buscando um campeão. Porque estaria em busca de uma onda diferente? De uma onda que o fizesse esquecer marés pouco favoráveis. Tempestades. Calemas como as que, de tempos a tempos assolam as costas angolanas destruindo, assustando, sobressaltando? Quem sabe que tempestades podem viver na alma de um homem que procura, no mar que ama, o fim de todas as marés?

Agora, só o mar poderá dar respostas. Só o mar poderá dizer o que se passou na cabeça do campeão durante os momentos em que os seus olhos se perderam na espuma de uma onda e se deixou levar para uma dimensão de onde se regressa todos os dias feitos lembranças. Saudades. Interrogações sem resposta.

Onde será que se encontram as ondas perfeitas?

Octaviano Correia escreve
à sexta-feira, todas as semanas