Oh Captain! My Captain!

Esta pandemia trouxe algo que poucas entidades portuguesas tinham: o teletrabalho.
    A verdade é que o teletrabalho permite ou permitiu que empregadores abusem do mesmo, deixou de existir horário de trabalho, alguns usam as suas ferramentas pessoais e não as fornecidas pela sua entidade patronal e cria-se uma tensão na vida familiar.
    Com o teletrabalho deixou de existir o início e o fim do dia de trabalho, este passou a um fluxo constante, sem o fim, a fronteira deixou de ser o espaço/tempo. Parece quase uma teoria de física quântica, mas não é! O colaborador estará sempre do outro lado do email e do telemóvel.
    Vamos ao exemplo dos professores, pois há quem ache que para eles tudo ficou facilitado ou sem nada para fazerem, mas recordo que o corpo docente em Portugal, por muito bom que seja, já possuí alguma idade e a renovação tem sido feita paulatinamente.
    Várias entidades gritaram que existiam alunos que não tinham computadores ou lá o que fosse para assistir às aulas, prontamente existiu uma solidariedade, e bem, para garantir os equipamentos. Já os professores ninguém quis saber, se tinham ou não computadores e ferramentas para possibilitar as aulas on-line. Além do mais, é ilegal a utilização das ferramentas pessoais do ponto de vista do Direito do Trabalho.
    Os professores preocupados com o futuro dos seus pupilos, levantaram-se e com os seus recursos, realizaram vídeo-aulas, algo que muitos pensam: “mas aquilo foi só 15 minutos de vídeo.” Mas para esses 15 minutos, esquecem-se que o professor teve de preparar a aula, colocar PowerPoints ao lado da sua imagem, fazer edição de vídeo, tudo para que chegue aos seus alunos, esses 15 minutos, demoraram ao professor mais de 2 horas a preparar.
    Tudo isto parece muito simples… Mas não é!
    Eu, apesar do meu filho ainda estar no jardim de infância, a educadora fez 2 vídeos diários para as crianças, e tinha atividades, apesar de divertidas, davam trabalho ajudá-lo a criar e a desenvolver as suas capacidades. Reconheço o trabalho notável feito pela educadora e escola.
    Este momento deverá dar as entidades capacidades informáticas para a criação de sistemas de informação para serem paperless, já não faz sentido assistirmos nas ruas aos “contínuos”, que existiam no século XX, a levar um papelinho da secretária A para a secretária B, essas pessoas são necessárias em outras atividades de vital importância para os respetivos serviços, mas não para transportar um post-it.
    As guerras são os momentos de disrupção, onde existe maior evolução tecnológica da humanidade, esta está a ser a guerra mundial do século XXI, a disrupção é esta.
    Este é o meu subir da mesa, tal como acontece no Clube dos Poetas Mortos, para homenagear a todos os professores e educadores: “Oh Captain, my Captain our fearful trip is done”
Post Scriptum 1: Podemos criticar o antigo Primeiro-Ministro José Sócrates por vários motivos, mas uma das boas medidas foi dar a uma geração meios informáticos, entre os quais estava o conhecido Magalhães, custou milhões, mas milhões de famílias tiveram acesso a computadores que de outra maneira nunca teriam.
Post Scriptum 2: Na Madeira também existiu outro programa que há muito foi abandonado, que era uma casa um computador, era socialmente fundamental, esta medida estrutural deve-se ao Presidente de então, ao Dr. Alberto João Jardim.