Sonhar é sentir?

Nesta vida nada é completamente correto aos olhos do mundo inteiro. Somos fragmentos e prisioneiros de nós mesmos. Respeitamos os limites que traçamos e aceitamos aquilo que consideramos justo receber. Talvez neste processo contínuo de sabotagem interna nos tenhamos perdido nesta rotina que é a vida padronizada pela sociedade. Esquecemo-nos da importância de sonhar e de valorizar cada um dos nossos sentimentos – que às vezes surgem quando menos esperamos e em pouco tempo, mas que nos permitem sonhar além-fronteiras.

Sonhos são como o sentir. Nem sempre têm justificação – nem são para sempre. São eternos enquanto existirem e está tudo bem nisso.

Sentir é momentâneo. Mas pode ser um belo contínuo momentâneo enquanto isso nos fizer felizes. Não acredito que o “para sempre” exista, mas também acredito que tudo tenha um fim. Sou uma eterna sonhadora e sei que enquanto estiver feliz as coisas estão bem, mas quando o coração aperta é hora de alterar o rumo das nossas vidas. Sonhar é parte do processo de nos sentirmos com vida. Mudar e fazer de nós melhores, também. Talvez seja demasiado pragmático aos olhos de muitos, mas é importante sentirmos que temos uma missão a desempenhar neste mundo, ou até mesmo sentirmos apenas que fomos feitos para fazer bem a alguém.

Os sonhos nada menos são do que relances dos desejos mais íntimos da nossa alma. Aquilo que nos dá sentido ao ser – o que move cada fragmento genético do nosso organismo. Influência cada escolha que fazemos, cada sentimento que nos apraz a alma. Um sonho pode ser imaterial, físico ou uma pessoa. Pode ser almejar a felicidade, comprar um par de botas ou viver com uma pessoa até ao resto das nossas vidas. Um sonho é particular, mas ao mesmo tempo pode ser mais belo se unido a outro. Sonhar é bonito, intenso e simbólico.

Todavia, sonhar e sentir não são coisas exatas, nem fáceis de serem compreendidas por todos. Muitas vezes são questionadas por nós mesmos quando surgem. São confusas quando confrontadas e tornam-nos pessoas mais reflexivas, mais intensas. Ninguém nunca sabe ao certo o que quer, mas sabe exatamente como gostaria de se sentir em determinada altura da vida. Há quem diga que há coisas que a própria razão não consegue explicar e, de facto, estas são coisas que se encaixam neste caraterístico ditado popular.

Entre tudo o que o ser humano tem a capacidade de exercer como espécie que é neste mundo sonhar e sentir são coisas que andam de mão enlaçadas. E é normal que no processo de autoconhecimento entremos numa jornada conturbada, em que ficamos perdidos na imersão do nosso ser, à deriva nos mares mais conturbados. O mais importante é que eventualmente consigamos desbravar as ondas mais tormentosas e popular as pequenas ilhas que encontramos pelo nosso caminho com a nossa essência, o nosso amor e o nosso melhor enquanto seres humanos.

Com amor, de uma alma também perdida entre o sonhar, o sentir e o viver.