A responsabilidade social não é só para os outros

E de repente tudo muda. O mundo pára, a sociedade desacelera e tudo fica em segundo plano porque a hora é de valorizar a vida. Acima de tudo.  E, para isso, temos de parar. Temos de nos refugiar.

No espaço de duas semanas, tudo se alterou. Se nos dissessem há seis meses que uma infeção iria alastrar-se pelo mundo, que iria mudar as nossas rotinas, a nossa forma de viver, a forma de nos relacionarmos uns com os outros, provavelmente iríamos rir dessa possibilidade, incrédulos. Muito provavelmente iríamos dizer que essa pessoa estava a ver muitos filmes de ficção porque, na verdade, este tipo de coisas, com esta dimensão, só acontece no cinema.

E, no entanto, aqui estamos a viver essa realidade, reduzidos a essa vulnerabilidade humana, mas sempre resilientes, otimistas e confiantes de que este é mais um desafio que a humanidade terá de superar, mesmo que o cenário seja devastador.

O mundo enfrenta uma pandemia e todos são chamados a contribuir para que possamos sair dela o mais rapidamente possível.

Uns de uma forma, outros de outra. Custa-me, por isso, ver a resistência daqueles que têm o papel mais fácil: o de ficar em casa.

Esses, os que podem ficar em casa, são os privilegiados porque outros têm de estar na linha da frente, a cuidar de quem fica doente ou a assegurar que nada nos falte, seja, ao nível da alimentação e de outros bens e serviços, seja ao nível da segurança, da informação e da aplicação de medidas que nos ajudem a ultrapassar esta crise.

Eu estou no grupo desses privilegiados, os que podem ficar em casa. Nos últimos 10 dias, apenas saí uma vez e após oito dias de 'retiro' auto forçado. Fi-lo por motivos de força maior, devidamente enquadrados nas exceções às deslocações, decretadas pelo estado de emergência.

Contudo, esse ato rotineiro há um par de semanas, não era algo que fazia agora de ânimo leve, mesmo que apenas implicasse uma deslocação de carro, de um ponto a outro, com contactos muito reduzidos.

Confesso que esperava cruzar-me com um menor número de carros perante a atual situação e num domingo, levando-me a pensar se todas essas pessoas teriam um motivo válido para circular. Talvez sim. Talvez não. Afinal, também eu estava na rua e a mesma pergunta poderia ser colocada por quem passava por mim.

Ainda assim, a Madeira tem sido um exemplo porque, desde logo, mesmo antes do país acordar para o que se passava com os seus vizinhos europeus, começou a dar passos decisivos para evitar ao máximo o contágio e começou a fazê-lo antes do surgimento dos primeiros casos suspeitos e confirmados.

A isso deve-se à firmeza do nosso Presidente Miguel Albuquerque, que não hesitou em avançar, mesmo indo contra as vozes críticas e interesses de alguns.

Muita coisa mudou nestas últimas semanas. E essa mudança foi demasiado grande para um espaço de tempo tão curto, demasiado rápida para assimilar, mas impõe uma alteração imediata de comportamentos daqueles que ainda acham que este é um mal menor, sob pena de ampliarmos a dimensão do problema.

Esta é uma ameaça à escala planetária, não temos para onde fugir. Por isso, pela sua saúde, pela nossa saúde. Pela vida. Se puder, fique em casa. Se cada um fizer a sua parte, vamos todos ficar bem!