Como poupar em eletricidade na Madeira

Ao contrário do que acontece no Continente, o mercado livre de eletricidade com preços concorrenciais ainda não é uma realidade nas Ilhas. No entanto, a Comparamais revelou que há outras formas de reduzir os gastos com eletricidade na Madeira.

A eletricidade é uma das principais despesas mensais dos portugueses. Como tal, quando se pensa em reduzir gastos, é uma das faturas a ler com maior detalhe. Por isso fomos saber a opinião e conselhos da Comparamais, site especializado em comparação de preços e poupança. Enfatizando que a ausência do mercado liberalizado é um handicap quando se fala em baixar os gastos com eletricidade na Ilha da Madeira, ainda assim há outras soluções possíveis.

Mercado livre seria uma medida importante

O objetivo da liberalização do mercado da energia foi garantir, com a concorrência entre empresas, preços da eletricidade mais baixos para os portugueses. No entanto, o mercado livre ainda não chegou às ilhas. Ao analisar os preços da EEM (Empresa de Eletricidade da Madeira) com alguns fornecedores nacionais, a Comparamais concluiu imediatamente que a liberalização seria uma forma de reduzir os custos, já que a Endesa tem atualmente preços mais vantajosos que a única fornecedora de eletricidade na Madeira e Porto Santo.

Consumo médio de 185kWh (dados ERSE) para um mês com 30 dias, nos dois principais níveis de potência contratada na Região Autónoma da Madeira

Potência

Preço Energia €/kWh

Total

EEM 3,45 kVA

0,1650€ x 30 dias =
4.95€

0,1460€ x 185 kWh =

27,01€

31,96€

EDP Comercial 3,45 kVA

0,2200€ x 30 dias =

6,6€

0,1456€x 185 kWh =

26,93€

33,53€

Endesa 3,45 kVA

0,1675€ x 30 dias =

5,02€

0,1359€ x 185 kWh =

25,14€

30,16€

EEM 6,9 kVA

0,3114€ x 30 dias =

9,34€

0,1460€ x 185 kWh =

27,01€

36,35€

EDP Comercial 6,9 kVA

0,3805€ x 30 dias =

11,41€

0,1456€x 185 kWh =

26,93€

38,34€

Endesa 6,9 kVA

0,3187€ x 30 dias =

9,56€

0,1359€ x 185 kWh =

25,14€

34,70€

Tendo em conta que não há indicações relativas a uma liberalização do mercado de energia nos arquipélagos, esta não será uma solução viável para os madeirenses pouparem na fatura de eletricidade. Mas, ainda assim, há outras formas de reduzir os gastos...

Tarifa simples ou bi-horária?

Saber escolher o plano mais indicado é um dos primeiros requisitos quando se fala na redução dos custos da luz. Manter uma tarifa simples quando se pode obter poupança com o preço da eletricidade nos períodos noturnos e de fim-de-semana (dos planos bi-horários) é algo a analisar. Mas o contrário também é verdade, já que os períodos Fora-Vazio nos tarifários bi-horários são aqueles em que a eletricidade é mais cara.

Como tal, a Comparamais refere que quem usa as máquinas a lavar roupa e loiça após as 23H, faz todas as lides domésticas durante o fim-de-semana e não tem muitos equipamentos sempre ligados (como arcas congeladoras), deve escolher uma tarifa bi-horária. Além disso, este site refere que na comparação entre tarifas bi-horárias e tri-horárias, normalmente as primeiras são mais vantajosas.

Mas, se tem muitos eletrodomésticos em consumo contínuo de energia e faz muitas refeições em casa com uma placa de fogão elétrica, talvez seja melhor escolher uma tarifa simples. O mesmo acontece, por exemplo, com quem esteja em teletrabalho e durante várias horas do dia tenha a TV, PC e outros equipamentos eletrónicos ligados.

Saber a potência contratada

Há três grandes elementos na fatura de luz. Além dos impostos, paga-se o custo efetivo da energia (€/kWh) e a potência contratada (kVA). Esta última é um valor cobrado diariamente, mas que é diferente consoante a potência do seu contador. Como tal, pode verificar se há alguma vantagem em reduzir a potência contratada. É verdade que se reduzir muito este valor o seu quadro elétrico vai começar a “disparar”. No entanto, se trocou para eletrodomésticos mais eficientes ou encontrou alternativas para não usar muitos equipamentos em simultâneo, reduzir a potência contratada ajuda a poupar alguns euros por ano.

Enviar as leituras...

Na verdade, esta é apenas uma medida de controlo dos gastos. Ou seja, não vai pagar menos eletricidade. No entanto, também não fica sujeito às variações na fatura causadas pelos acertos entre estimativas e consumos efetivos. O que consumiu passa a ser aquilo que efetivamente paga. Por exemplo, pode usar a página específica da EEM para enviar as suas leituras e não correr o risco de ser surpreendido com acertos.

Mudar hábitos é essencial para pagar menos

A Comparamais recordou há algo bastante importante para reduzir a fatura da luz. Passa por encontrar formas de reduzir os seus consumos de eletricidade, sendo mais eficiente. Para isso, aqui ficam alguns dos conselhos, alguns dos quais também encontra no site da EEM:

  • Opte por lâmpadas LED e ajuste a quantidade de luzes utilizadas à necessidade de iluminação desse espaço; Além disso, pintar as paredes de tons claros para maximizar a utilização da luz;

  • Não deixe equipamentos como os computadores portáteis, Televisões e outros eletrodomésticos em stand-by, já que continuam a gastar energia. Ao fim do ano podem ser mais de 50€ de diferença nas faturas;

  • Faça uma climatização natural dos espaços. Ou seja, use o calor do sol para iluminar e aquecer os espaços interiores nos tempos mais frios, e feche as janelas para refrescar a casa quando o calor aperta. Garantir também um bom isolamento ha habitação;

  • Utilize de forma eficiente os eletrodomésticos. Por exemplo, desligue o fogão de placa ou o forno um pouco antes de terminar de cozinhar as refeições, aproveitando o calor acumulado para terminar a confecção dos alimentos;

  • Escolha eletrodomésticos mais eficientes, de preferência com etiqueta energética A;

  • Use programas de lavagem mais eficientes, com temperaturas mais reduzidas. Além disso, caso tenha uma tarifa bi-horária, aproveite os períodos noturnos e de fim de semana para fazer as lavagens, já que o custo da energia é menor;

  • Se tiver disponibilidade financeira, pondere a opção por painéis solares e outras fontes de energias renováveis. São um investimento imediato, mas que é depois compensado com a redução das faturas ao longo dos anos.

Embora estes conselhos sejam ouvidos frequentemente, há que ressalvar a sua importância. Refere o site comparador de preços de luz e gás que, por exemplo, só ao evitar deixar os equipamentos em stand-by pode poupar 50€ por ano. Além disso, também há outros gastos que pode reduzir, com impacto na fatura de luz e gás. Por exemplo, evitar banhos de imersão e não deixe as torneiras ligadas e o esquentador a trabalhar para “aquecer a água” por períodos longos antes de entrar para o banho. Portanto, mesmo sem um mercado livre de energia, há muitas formas de poupar na luz e no gás, tanto nos preços como nos hábitos…