Madeirense em São Paulo completa 101 anos

Marco Sousa

Maria Gília Rodrigues, madeirense natural da freguesia do Monte, nasceu no dia 8 de julho de 1919 e comemora hoje o seu centésimo primeiro aniversário. O JM recordou a vida e as histórias da madeirense neste dia tão importante para si e para a família.

Na história de vida de Gília Rodrigues escrita pelas primas Ângela (neta) e Ana Lúcia (sobrinha), lida aquando do seu 100º aniversário, numa festa que assinalou esta data única com a atuação do Grupo Folclórico Infanto Juvenil da Casa da Madeira em São Paulo, à qual tivemos acesso, pode ler-se todas as peripécias desta emigrante ao longo de toda a sua vida e que passamos a partilhar consigo.

A madeirense na infância “gostava de brincar nos andaimes da construção da sua casa, época em que o seu pai estava emigrado na Guiana Inglesa”, pode ler-se. Gília Rodrigues era a 4ª de 10 irmãos e ajudava a sua mãe com os bordados, enquanto que o seu pai trabalhava como jardineiro no Monte Palace.

A madeirense pertenceu, entre os 15 e os 25 anos ao grupo de escoteiros (GAID), onde as reuniões aconteciam na Quinta Rocha Machado. Neste grupo conheceu Maria Pita, tornaram-se amigas inseparáveis, mas a sua amiga partiu para os Estados Unidos, o que provocou imensa tristeza na madeirense.

Mais tarde, em 1944, Gília Rodrigues casa-se com Manuel Rodrigues e constitui a sua família de sete filhos: Emiliano, Filomena, Fátima, Constantino, Teresa, Maria José e Inês. Três anos após casamento, os seus pais partiram para o Brasil com os irmãos que eram solteiros para tentarem uma vida melhor, enquanto Gília manteve-se na Madeira, enfrentando muitas dificuldades.

Quando o seu filho Emiliano completou 14 anos, Gília Rodrigues decide mandá-lo para o Brasil evitando que servisse ao exercito, chegando ao Porto de Santos, São Paulo, onde é recebida pela sua avó Constantina. Três anos depois é a vez de outros 2 dos seus filhos partirem, também, para o Brasil.

Com o tempo, juntaram todo o dinheiro necessário para comprar as passagens para o Brasil. É aqui que “a tão linda Madeira fica para trás”, levando na bagagem sonhos de construir uma vida melhor.

Leia tudo na edição impressa do JM de hoje.