Associações portuguesas em França passam por situação difícil

Lusa

As festas e encontros que permitiam às associações portuguesas em França manter as suas contas equilibradas foram anuladas devido à covid-19.

A situação das associações portuguesas em França é difícil após vários eventos terem sido cancelados. Como noticiámos na edição impressa de ontem, o "Flores Da Madeira", único grupo folclórico madeirense em França, que está localizado em Ormesson sur Marne, pequeno local nos subúrbios de Paris, teve também que cancelar o evento devido à Covid-19. Evento esse que realizam atualmente no primeiro domingo de junho, que junta milhares de pessoas e é um festival de folclore à “moda madeirense”.

Uma outra grande festa lusa é a organizada pela Associação Portuguesa Cultural e Social (APCS) em Pontault-Combault, região parisiense, ia celebrar no dia 30 de maio a sua 45.ª edição, tendo-se tornado numa das datas incontornáveis da comunidade portuguesa em França, reunindo não só portugueses, mas pessoas vindas de outros países lusófonos e muitos franceses, curiosos para descobrir a cultura nacional.

"A nível financeiro, é um buraco enorme. Esta festa, como é muito grande e junta cerca de 30 mil pessoas, ajuda-nos para que possamos tapar certos buracos durante o ano de outras atividades que não são rentáveis", afirmou Cipriano Rodrigues, presidente da APCS de Pontault-Combault, em declarações à agência Lusa.

Agora, com a proibição de aglomerações com mais de 10 pessoas em França devido à covid-19 - que já causou no país mais de 28 mil mortos e mais de 182 mil casos - a associação teve de devolver dinheiro aos parceiros da festa e negociar os sinais já avançados aos artistas, o que coloca esta estrutura em perigo.

"Temos um fundo de maneio, que nos serve de garantia para tudo o que fazemos. Mas como já tínhamos gastado uma parte na organização da festa deste ano, vamos ficar com este fundo praticamente a zero. Vamos ter de ter muita atenção para que a associação não vá à falência", relatou Cipriano Rodrigues.