“Grande parte da população em Jersey achou que isto não era nada sério”

Marco Sousa

Isilda de Freitas, é uma madeirense que está em Jersey desde 1992, natural de São Roque do Faial em Santana, professora de inglês como língua estrangeira no Highlands College e professora de inglês e bibliotecária no Estabelecimento Prisional de Jersey.

A madeirense confessa-nos que “os primeiros empregos ao chegar a Jersey” foram na área da “hotelaria, restauração, supermercados e lojas de roupa e de sapatos uma vez que pretendia investir na minha educação e queria experienciar ao máximo a língua inglesa nos vários setores para a desenvolver”. Fala-nos ainda de algumas experiências de voluntariado como ter sido “dirigente do grupo coral da missa Portuguesa da Igreja de São Tomás.”

Comunidade em Jersey

Jersey é uma das ilhas do Canal da Mancha com uma população com cerca de 110 mil habitantes. Cerca de 20% são ou Portugueses ou lusodescendentes e uma grande parte madeirenses.

Em relação ao contacto com a comunidade madeirense em Jersey, a emigrante diz-nos que “devido à minha situação profissional tenho, normalmente, bastante contacto com a nossa comunidade cá residente”. Ainda assim, “obviamente o contacto atual é muito mais reduzido”.

A emigrante explicou que “existem muitos madeirenses donos de lojas como minimercados, que têm produtos portugueses à venda, e muitos donos de cafés e restaurantes”. Adiantando ainda que “embora a nossa comunidade tenha representação em todas as áreas, muitos trabalham em supermercados, armazéns e distribuição de bens alimentares, em lares de terceira idade e no hospital e, portanto, continuaram a trabalhar durante este período”.

Quarentenas furadas

Em relação à resposta de Jersey à pandemia mundial da Covid-19 diz-nos que na sua opinião, “a resposta de Jersey não foi muito eficaz uma vez que, mesmo vendo o que se passava nos outros países, o governo "deixou andar" as coisas para ver onde ia antes de tomar medidas que limitassem tanto a importação de casos como a propagação”. Isilda de Freitas relata que “nunca houve grandes limitações e imposições para com a população, mas sim "conselhos"”.

Para a madeirense “grande parte da população achou que isto não era nada sério, muitas das primeiras pessoas a quem foi imposta quarentena não o fizeram e muitos ficavam fora de casa duas horas por dia, todos os dias, mesmo que não o tivessem de o fazer”.

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