África do Sul: Geram-se tensões devido à interrogação de acesso à informação da Covid-19

José Luís da Silva, Correspondente em Joanesburgo (África do Sul)

Existe atualmente alguma frustração entre cientistas sobre a aparente falta de vontade do governo em facultar o acesso a informação crucial em antecipação à reunião do comité consultivo ministerial (MAC).

Foram levantadas questões sobre a aparente postura do Departamento de Saúde relativamente em aceder à informação espacial no desenvolvimento - pontos localizados de casos de coronavírus- à informação de dados sobre testes, rastreios, contactos para seguimento e localização assim como informação sobre hospitalizações - que incluem níveis de disponibilidade em suprimentos médicos e se estão asseguradas camas para cuidados intensivos.

O MAC é um grupo consultivo composto de cientistas eminentes que aconselham o Departamento de Sáude na melhor estratégia para contrariar a disseminação da patologia causada pelo Coronavírus. Seguiram-se dois dias de turbulência nos quais a cientista Drª Glenda Gray que encabeça o concelho de pesquisa médica da África do Sul especialmente sobre o HIV/SIDA, criticou o “lockdown”, por não ter fundamento científico, sem sentido e sem efeito no retardamento da transmissão do Codiv-19 e deverá ser cancelado.

Glenda Grey foi apoiada por cientistas e médicos e também por membros do MAC os quais alegam que nunca foram consultados sobre alguns aspetos e detalhes do “lockdown”. O Dr. Zweli Mkhize, ministro da saúde da África do Sul, reagiu e defendeu o governo e o seu ministério desmentindo categoricamente as alegações tecidas, incluindo retenção de informação.

O ministro disse ainda que atualmente não tem conhecimento que alguém se tenha aproximado e solicitado informações e que tenham sido recusadas, indicando em seguida que os resultados diários, após verificação, são libertados pra conhecimento de todos.

“Temos sido muito transparentes e frontais em tudo e nada temos a esconder, nunca escondemos. Assim, por vezes somos acusados e não sabemos como lidar com acusações porque não compreendemos o que as pessoas pretendem conseguir”, concluiu o ministro.