Madeirense na Bélgica aconselha prudência no regresso à ilha

Marco Sousa

José Gonçalves, chegou à Bélgica em novembro de 1982, por transferência profissional, onde assumiu a Direção Geral de uma multinacional ligada ao turismo. Seguiram-se outros cargos, em Amesterdão, Paris e Madrid, mas sempre mantendo a sua residência na capital belga.

Ao longo da sua vida, conta-nos a ligação que procurou manter à terra natal, ao aceitar ser Conselheiro das comunidades madeirenses pela Europa, cargo que ainda ocupa atualmente e que assumiu em 1984. Foi ainda, durante cerca de 30 anos, o porta-voz do Congresso e do Conselho permanente das comunidades, experiência que recorda com satisfação “destacando a participação dos nossos jovens lusodescendentes na festa do desporto escolar da Madeira.” O que segundo o mesmo, “foi notável e permitiu que essas pessoas mantivessem a Madeira no seu coração”.

Como Conselheiro das Comunidades, tem mantido alguns contactos “com madeirenses que estavam interessados em regressar à ilha, devido à excelente gestão que a Madeira tem feito da pandemia”. Ao JM explicou que a sua palavra foi sempre: “Deixem-se ficar onde estão, porque a verdade é que Madeira está a gerir muito bem a situação e nós na Europa, em regra geral, estamos em países com qualidade nos cuidados de saúde”.

“Deixem-se ficar onde estão, tomem as precauções que são aconselhadas e depois, quando tudo estiver melhor, pensemos em voltar à nossa terra, ao nosso paraíso, à região verde que muito nos orgulha”, aconselha.

Proximidade às comunidades

José Gonçalves foi um dos conselheiros ouvidos na última videoconferência realizada por Rui Abreu, diretor regional das comunidades e cooperação externa, que segundo, o conselheiro, “está a criar uma boa dinâmica, tem manifestado muito interesse em se aproximar das comunidades e fazer o que tem de ser feito, que é aproximar as comunidades da Madeira”.

O Conselheiro vê com agrado esta aproximação: “É agradável notar que, nesta altura onde as comunidades sofrem, existem um grande empenho do executivo regional em manter viva essa ligação. Quando as pessoas mais precisam é que, efetivamente, mais apreciam este tipo de contacto”. Relembrando que a Madeira “já o tinha feito com a Venezuela, quando o Governo Regional não hesitou em se deslocar ao país, numa altura em que várias pessoas estavam a sair de lá”.

Benefícios destino Madeira

Por fim, foi abordado o destino Madeira e o possível benefício que resultará da “gestão de mestre” realizada. “A Madeira transmitiu uma mensagem de confiança, além de tudo, que possui uma qualidade de saúde muito acima da média, que é hoje em dia algo ímpar”. O madeirense assegura ainda que “o destino oferece tudo aquilo que é mais procurado no mundo de hoje, que é o ar puro, contacto com a natureza, aliado a uma qualidade de saúde”.

Em jeito de conclusão, o Conselheiro afirma-nos o otimismo que sente, destacando a importância de que “o madeirense continue a perceber que o turista é muito importante” e continue a “recebê-lo como até agora”.