Madeirense na Bélgica relata semana que originou “volta de 180º”

Marco Sousa

Patrícia Gouveia é uma madeirense em Bruxelas, que “tinha ido de férias para Israel na semana em que, de repente, a situação era muito mais grave”. Receou o pior, mas conseguiu regressar à capital da Bélgica, dois dias antes do encerramento de todos os voos no país que visitou.

A madeirense é natural de Câmara de Lobos, trabalha na área de comunicação e é assistente para uma associação que representa a Galp, BP, Repsol, no fundo, as companhias petrolíferas em Bruxelas. Está na capital belga desde 2018, onde passou ainda pelo parlamento “como assessora de uma eurodeputada”, esteve na comissão europeia, “na pasta da política de coesão” passando depois para a energia, “onde estou a trabalhar há 7 meses como assistente de comunicação”.

Férias na semana errada

Patrícia Gouveia contou ao JM, a curiosa história da sua viagem de férias que coincidiu com a semana do confinamento em Bruxelas. “Fui de férias no dia 7 de março, estava tudo normal, a vida estava completamente normal, até que 2 dias depois comecei a receber mensagens de amigos e de colegas de trabalho a avisarem-me que a vida tinha dado uma volta de 180º, que toda a gente ia para casa, que a situação era muito mais grave do que se esperava”.

Com tudo o que se estava a passar, começou a preocupar-se “se iria conseguir voltar porque na mesma altura, Israel começava a também com as suas medidas de confinamento”. A sua preocupação era conseguir voltar para a Bélgica evitando “ficar presa em Israel”.

“Tive sorte”, diz-nos. “No dia 14 de março tinha o voo de volta, regressei e no dia 16 Israel fechou tudo para os turistas, ninguém entrava nem saía do país. Tive um pouco de sorte nessa parte”, confessa. Regressou, foi ao escritório buscar o seu computador e “a partir daí a norma tem sido trabalhar de casa”.

Madeirenses em Bruxelas

Em relação à Comunidade Madeirense, “conheço as pessoas que trabalham com as Eurodeputadas”. Que, neste momento, “acho que estão na Madeira”. Além dessas, a madeirense conhece uma outra pessoa. “Tenho um amigo madeirense, natural do Porto da Cruz, que vive cá também, e que passou o confinamento aqui na minha casa”, acrescentando, “a viver sozinho a situação é muito mais desafiante em termos de saúde mental. É mais fácil se conhecemos alguém que partilhe a mesma realidade que nós”.

Por fim, confessa-nos que “estávamos sempre os dois atentos a ver a situação da Madeira, como é que evoluía, especialmente em Câmara de Lobos, porque é de onde eu sou”.

Os dois tinham passagem marcada para a Madeira, viagem essa que acabou por ser cancelada. “Tivemos que reagendar, a TAP ainda nos ligou para reagendar para o final deste mês, mas como a situação ainda é muito sensível na Madeira, e porque aqui estamos em contacto com muitas mais pessoas, vieram de outros países sabe-se lá de onde, decidimos adiar a viagem para julho.”

“Andar nos aeroportos nesta altura é uma roleta russa”, alerta.

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