“É uma guerra grave que está aqui”, diz conselheiro das Comunidades Madeirenses em Londres

Sofia Lacerda

“A comunidade portuguesa está a passar por uma fase muito difícil, muito difícil mesmo, a mais difícil de sempre”, considerou, ao JM, José Silva, Conselheiro das Comunidades Madeirenses em Londres.

Reconhecendo, que, na atualidade, “nunca houve um problema deste género”, o também empresário disse mesmo que “isto é uma guerra grave que está aqui”, reconheceu.

A partir de hoje, sexta-feira, realçou, “as escolas fecham e já sabemos que a cidade vai fechar. Vamos ter militares e polícias na rua para não deixar as pessoas circularem, é a informação que nós temos”, adiantou.

“E a comunidade portuguesa está a passar uma situação muito difícil”, lamentou, salientando que não conhece nenhum caso de um português infetado.

“Ainda não estamos a entrar nessa situação de doença, mas sim financeira”, sublinhou.

Isso, na medida em que, lembrou, “Londres é uma cidade bastante grande e deve ter meio milhão de portugueses e, entre eles, 100 mil madeirenses, se calhar”.

E, “a maior parte da comunidade portuguesa e madeirense trabalha na restauração, têm restaurantes ou trabalham em restaurantes, e os restaurantes estão todos a fechar. Todos, mesmo. Não vai ficar nenhum restaurante ou bar aberto, a partir de amanhã”, reforçou.

Uma situação que também o afeta, já que tem um restaurante, com 15 funcionários, “que estão todos em casa”.

“E tenho outros negócios, ainda que o meu negócio principal seja o de fornecer carne, peixe e marisco à restauração, e, claro, esse negócio também está parado completamente”, acentuou.

“É mau para os dois negócios, mas, nesta fase, já não estamos preocupados com os negócios, mas com a saúde”.

Apesar de não conhecer casos de portugueses infetados, José Silva conhece pessoas que querem ir para a Madeira.

“São pessoas que estão bem, estão saudáveis e queriam fazer quarentena em casa, porque têm casa no campo e é muito mais fácil viver na Madeira, no campo, do que estar aqui dentro de uma casa, num apartamento, numa cidade. Mas não há voos”, afirmou, em jeito de lamento.