Venezuela: EUA sancionam sete deputados por “bloqueio” do processo democrático

Lusa

O Departamento do Tesouro (DT) dos EUA anunciou, hoje, sanções contra sete deputados afetos ao regime por terem tentado impedir, recentemente, o presidente da Assembleia Nacional (AN) da Venezuela, o opositor Juan Guaidó, de aceder ao parlamento.

Num comunicado publicado na sua página na Internet, o DT explica que os sete deputados afetos ao Governo venezuelano, encabeçaram, em nome de Nicolás Maduro [atual Presidente da Venezuela mas que Washington não reconhece como tal] "uma tentativa falhada de tomar ilegitimamente o controlo da AN e bloquear" o seu presidente, Juan Guaidó.

Segundo o DT estes deputados tentaram "bloquear o processo democrático na Venezuela" e poderão ver levantadas as sanções se "estiverem do lado do povo da Venezuela e da Venezuela, como líder legítimo".

"Juan Guaidó e outros deputados (opositores) participaram numa eleição constitucionalmente requerida para dirigir o parlamento", explica.

Entre os sancionados está Luís Eduardo Parra Rivero, que foi eleito pelos simpatizantes do regime como presidente do parlamento.

Os restantes sancionados são os deputados José Gregorio Noriega Figueroa, Franklyn Leonardo Duarte, José Dionísio Brito Rodríguez, Conrado António Pérez Linares, Adolfo Ramón Superlano e Negal Manuel Morales Llovera.

Luís Eduardo Parra Rivero, Ramón Adolfo Superlano, Conrado António Pérez Linares e José Dionísio Brito Rodríguez foram acusados, em finais de 2019, pela oposição venezuelana de estarem envolvidos em corrupção com o programa estatal de importação de alimentos a preços subsidiados, pelo regime, que depois são distribuídos entre a população.

A 05 de janeiro último vários deputados do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo) e das forças políticas que apoiam o Presidente Nicolás Maduro, impediram o presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, e uma centena de opositores de entrarem no palácio Federal Legislativo.

Com o bloqueio, os deputados do chavismo tentaram impedir a realização das eleições em que Juan Guaidó seria reeleito presidente do parlamento e realizaram uma votação que a oposição alega ser fraudulenta e ter sido efetuada sem quórum na qual Luís Eduardo Parra Rivero foi "eleito" para substituir o líder opositor.

Durante o bloqueio, a maioria parlamentar opositora reelegeu Juan Guaidó como presidente do parlamento até finais de 2020.