Venezuela: Partido da oposição Primeiro Justiça afasta três deputados por suspeitas de corrupção

Lusa

O partido da oposição venezuelano Primeiro Justiça (PJ), com 33 dos 165 deputados do parlamento, anunciou hoje que decidiu afastar três dos seus parlamentares pelo alegado envolvimento num esquema de corrupção relacionado com a distribuição de alimentos pelo Estado.

Em comunicado, o partido indica que decidiu afastar os deputados Luís Parra, Conrado Pérez e José Brito, estes últimos dois membros da Comissão Permanente de Controlo da Assembleia Nacional.

"(Decidimos) Separar estes deputados e solicitar que sejam julgados dentro do Primeiro Justiça, assim como em tribunais e instituições internacionais", explica.

O comunicado revela ainda que o tribunal disciplinar do partido continuará a investigar aqueles três deputados para aclarar denúncias e determinar responsabilidades.

A decisão do PJ acontece depois de a imprensa local denunciar que a Comissão Permanente de Controlo do parlamento, onde a oposição detém a maioria, está envolvida em ações "para encobrir ou proteger atos de corrupção cometidos pelo regime" venezuelano.

As denúncias envolvem, Alex Saab, um empresário sancionado em julho último pelos Estados Unidos, por alegadamente beneficiar de um programa estatal de importação de alimentos, que são depois distribuídos a preços subsidiados em bairros humildes venezuelanos.

No comunicado, o PJ diz ter denunciado as operações de Alex Saab e que foi um investigação feita pelo parlamento e as pressões internacionais que levaram às sanções do Governo dos EUA.

"Desde há três anos que temos investigado e contribuído com informação crucial sobre a máfia encabeçada por Alex Saab na distribuição de alimentos (...). O PJ tem sido uma vanguarda na luta contra a corrupção e apresentado informações e provas que determinam claramente quais os atores públicos e privados que operam o mecanismo corrupto de importação de alimentos, assim como uma rede financeira com raízes em distintas partes do mundo, para apoderar-se do dinheiro dos venezuelanos", explica.

O partido reitera ainda que mantém uma posição frontal contra a corrupção, a autocracia e a violação dos Direitos Humanos.