Tragédia abala família e choca diáspora madeirense na África do Sul

José Luís da Silva, em Welkom, no Free State (África do Sul)

Uma tragédia ocorreu na quarta-feira num lar de uma família madeirense residente na Toutius Street, Jan Cillier’s Park, na cidade de Welkom, capital da província do Free State, na África do Sul, com a morte de um casal muito acarinhado, especialmente no seio da comunidade portuguesa, nomeadamente entre as pessoas oriundas da Ilha da Madeira.

Apurou o JM que a calamidade começou quando a matriarca da família, a madeirense Gorete Vieira, casada, doméstica, 64 anos, natural da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, faleceu de ataque cardíaco, ocorrido durante o sono, conforme acabaram por revelar os resultados da autópsia realizada por médicos legistas da cidade de Welkom, disse ao JM o genro dos falecidos, Roberto de Sousa.

Instado pelo Jornal, disse que o seu sogro, João Vieira, comerciante, 67 anos, natural da freguesia do Santo da Serra, começou por levantar-se normalmente da cama onde dormia com a falecida esposa, não se apercebendo de qualquer anomalia, julgando que Gorete Vieira estaria a dormir.

Passado algum tempo estranhou que a esposa não se tivesse levantado e regressou ao quarto, onde acabaria por constatar a triste realidade. Ato contínuo, chamou a polícia, telefonou ao seu sócio, aos filhos e filhas para informar do que acabava de verificar.

Pouco tempo volvido, todos compareceram na residência do casal para assistir João Vieira. Os detetives da polícia sul-africana, após terem inspecionado o cadáver da inditosa madeirense, iniciaram um interrogatório, o qual foi interrompido quando João Vieira pediu aos detetives autorização para ir à casa de banho, que lhe foi concedida.

Passados alguns momentos, um som estranho soou de um outro quarto, levando a polícia e os presentes a investigar o que se passava, acabando por verificar que João Vieira tinha posto termo à vida.

Roberto de Sousa avançou ao JM que o sogro utilizou uma pistola de 9mm com silenciador para cometer o fatídico ato, interpretando-o como uma consequência “de não conseguir suportar o desgosto pela perda súbita da esposa. Em vida foram sempre muito unidos e agora também na morte”, argumentou. “Todos lamentamos esta perda e é difícil expressar a dor que estamos a sentir, ficámos tristes com este acontecimento que enlutou a nossa família e muitos amigos”, concluiu.

João Vieira era co-proprietário do supermercado Sylvania Super Spar, em Welkom. E tanto ele como a esposa gozavam das maiores simpatias e respeito dos compatiotas e conterrâneos como também dos habitantes e autoridades locais.