Brexit: Macron contra novo adiamento e 'tirania da maioria da bolha'

Lusa

A União Europeia não deve conceder um novo adiamento do ‘Brexit’ ao Reino Unido, defendeu o Presidente francês, Emmanuel Macron, congratulando-se por não ter cedido “à tirania da maioria da bolha” quando se mostrou contra uma extensão longa.

“Para que possamos concentrar-nos no futuro, acredito que devemos cingir-nos à data de 31 de outubro. Penso que uma nova extensão não deve ser concedida”, sustentou o presidente francês, referindo-se à possibilidade de os 27 autorizarem um novo adiamento da saída do Reino Unido do bloco comunitário, caso o acordo revisto para o ‘Brexit’ seja rejeitado pelo Parlamento britânico.
Emmanuel Macron aproveitou a ocasião para congratular-se por ter permanecido firme na oposição a uma extensão longa do Artigo 50.º do Tratado de Lisboa, defendida por uma larga maioria dos 27, mas rejeitada terminantemente pela França, que só aceitou um prolongamento até 31 de outubro, na resposta ao segundo pedido de prorrogação da data de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) formalizado em abril passado pela anterior primeira-ministra britânica, Theresa May
“A determinado momento, estava sozinho no tema da extensão do ‘Brexit’, e penso que não estava errado. Lamento por nem sempre ceder perante a tirania da maioria da bolha”, ironizou, numa crítica velada aos seus homólogos, mais ‘tolerantes’ com o Reino Unido e as suas dificuldades internas para aprovar o acordo de “divórcio”.
E as posições firmes (e unilaterais) de Macron não se esgotam no ‘Brexit’: nesta cimeira, o chefe de Estado francês foi, mais uma vez, o grande opositor da abertura das negociações de adesão da Macedónia do Norte e Albânia, uma recusa que justificou com uma metáfora.
“Se [a UE] não funciona bem com 27, vai funcionar melhor com 28, 29 ou 30? Além disso, os mesmos países que são favoráveis ao alargamento, são aqueles que querem um orçamento de apenas 1% [do rendimento nacional bruto dos Estados-membros]. Quando uma sanduíche é maior e pomos menos manteiga, temos de a espalhar tanto que deixamos de a ver. Curiosamente, no final, a sanduíche sabe a pão sem nada”, comparou.
Na mesma declaração, o Presidente de França conseguiu criticar quase todos os Estados-membros e, em particular, a Alemanha, favorável ao alargamento, mas contra o aumento das dotações nacionais para o próximo orçamento comunitário.
A questão do alargamento era um dos temas fortes do Conselho Europeu iniciado na quinta-feira em Bruxelas, já que os chefes de Estado e de Governo dos 28 deveriam tomar uma decisão sobre a recomendação da Comissão Europeia de maio passado no sentido de serem abertas negociações de adesão com os dois países dos Balcãs Ocidentais, face aos progressos feitos por Macedónia do Norte e Albânia, mas falharam a adoção de uma posição conjunta face a um bloqueio de França, que reclama uma reforma da política de alargamento da UE antes da abertura de novos processos.
Dinamarca e Holanda opõem-se para já apenas à abertura de negociações com Tirana, enquanto 25 Estados-membros são favoráveis a uma 'luz verde' aos dois países.
A Macedónia do Norte é candidata à UE desde 2005 – tendo inclusivamente mudado o nome, pois a Grécia rejeitava a sua adesão enquanto Antiga República Jugoslava da Macedónia –, e a Albânia pediu para aderir em 2014.