Xenofobia da África do Sul reflete-se em Lagos, na Nigéria

José Luís da Silva – Correspondente em Joanesburgo ( África do Sul )

O Alto Comissário da África do Sul para a Nigéria, Bobby Monroe, nega notícias e informações de “ataques xenófobos” no seu país tendo como alvo cidadãos nigerianos radicados na África do Sul. O Alto Comissário (embaixador) fez estas declarações durante uma conferência de imprensa que teve lugar nas instalações do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lagos, capital da Nigéria.

O Alto Comissário sul-africano descreveu os ataques como "atos de violência esporádica“ em que negócios de sul-africanos foram também afetados pela violência.

O JM apurou às primeiras horas de hoje que uma multidão tumultuosa atacou o supermercado sul africano “Checkers“ em Lagos em retaliação aos acontecimentos ocorridos em Joanesburgo. O Governo Federal da Nigéria alega que propriedades, incluindo automóveis pertencentes a nigerianos, foram incendiadas.

A controversa OAP, Daddy Freeze, anunciou que futuramente boicotará todos os produtos fabricados na África do Sul devido aos ataques xenófobos contra nigerianos, os quais têm sido perseguidos por grupos e multidões que os matam, incendeiam e saqueiam as suas propriedades roubando-lhes os pertences.

Freeze abandonará por completo a aquisição de produtos sul africanos os quais incluem a MTM, DSTV e Shoprite. "Não enriquecerei uma nação que trata os meus irmãos e irmãs como animais", concluiu.

O ex- vice-presidente nigeriano, Atiku Abubakar urgiu a União Africana (UA) a tomar medidas urgentes e preliminares contra os recentes ataques xenófobos perpetrados contra nacionais da Nigéria na África do Sul para pôr fim a um mal que está destruindo o tecido da irmandade Africana. Atyuku Abubakar também escreveu no Twitter que os ataques contra nacionais da Nigéria são inaceitáveis e condenou veementemente os mesmos.

O JM apurou que os presidentes da Republica Democratica do Congo, Malavi e Ruanda cancelaram a sua participação na cimeira Worl Economic Forum (WEF) que se reúne na cidade do Cabo a partir de amanhã, decisões que se seguiram após a Zâmbia ter cancelado um jogo amigável das seleções de futebol, marcado para março do próximo ano, citando violência xenófoba.

O Centro de Estudos para Violência e Reconciliação atesta que os estrangeiros estão a ser usados como “um scape “ com a finalidade de defletir a atenção dos problemas sócio-económicos que afetam a África do Sul.

O Presidente da União Africana, (AU) Moussa Faki Mahamat, condenou esta onda de violência na qual números significativos de pessoas foram presas pela polícia em Tshwane (Pretoria) e Joanesburgo .