Venezuela: Caracas acusa Colômbia de armar guerrilheiros e enviá-los para território venezuelano

Lusa

A Venezuela acusou hoje a Colômbia de treinar e armar guerrilheiros que depois envia para território venezuelano.

“A Colômbia protege grupos terroristas. Eles [Governo] não apenas os abrigam, como os protegem, alimentam, treinam e dão-lhes armas para que venham à Venezuela. E depois o Governo colombiano diz que na Venezuela apoiamos os grupos insurgentes", disse o presidente da Assembleia Constituinte (composta unicamente por simpatizantes do regime do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro).

Diosdado Cabello falava numa conferência de imprensa na cidade de Maturín (510 quilómetros a sudeste de Caracas) durante a qual exigiu que a Colômbia desvincule a Venezuela da guerrilha colombiana que anunciou recentemente o regresso às armas.

“Estão a tentar ligar-nos, de alguma forma, com a origem do ressurgimento da violência ou que a Venezuela tem algum tipo de participação ou de apoio a grupos insurgentes que atuam na Colômbia há 60 anos (...). Decidiram [o Governo colombiano] não cumprir o que haviam assinado e começaram a matar as pessoas que abandonaram as armas", disse Diosdado Cabello.

Cabello que é também dirigente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo) e é tido como o segundo homem mais forte do chavismo, depois de Nicolás Maduro, insistiu que a Venezuela defende a paz no país vizinho.

No sábado, o ministro venezuelano da Defesa, Vladimir Padrino López, advertiu que a Venezuela vai defender o seu território e que responderá militarmente se a Colômbia tentar violar a sua soberania.

"Nós protegeremos a nossa soberania e responderemos militarmente. E fá-lo-emos de maneira contundente, em legítima defesa. Não se equivoquem", escreveu o ministro na sua conta na rede social Twitter.

Vladimir Padrino López respondia a acusações feitas, na sexta-feira, pelo seu homólogo colombiano, Guillermo Botero Nieto, de que dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) estaria na Venezuela.

"O problema político que a Colômbia enfrenta não pode e não deve levar a uma confrontação militar. Apelamos para que não se procurem desculpas ou pretextos, com falsos positivos [coisas que parecem ser o que não são] para tentar violar a nossa soberania territorial, seja por forças convencionais ou por grupos irregulares", frisou o ministro venezuelano.

O ministro da Defesa da Colômbia disse na sexta-feira à rádio colombiana La FM que o seu Governo vai tomar medidas para enfrentar um grupo de dissidentes das FARC que anunciou recentemente que iria retomar as armas.

Segundo Guillermo Botero, a Colômbia conta com uma unidade especializada, composta por homens dos serviços secretos, da polícia e investigadores para capturar este grupo e levá-lo perante a justiça.

Depois de mais de um ano de paradeiro desconhecido, o ex-‘número dois' das FARC e principal negociador do acordo de paz de 2016, Iván Márquez, reapareceu num vídeo, na passada quinta-feira, com outros ex-líderes do grupo, anunciando o regresso às armas.

O conflito armado na Colômbia, que envolveu guerrilhas, grupos paramilitares, forças do Governo e narcotraficantes ao longo de mais de 50 anos, causou mais de 260 mil mortos, quase 83 mil desaparecidos e 7,4 milhões de deslocados.