UE apela a “genuíno compromisso” para acabar com crise na Venezuela

Lusa

A União Europeia (UE) apelou hoje a um “genuíno compromisso” entre Governo e oposição na Venezuela para acabar com a crise política no país sul-americano, um dia após uma retoma das conversações entre as partes.

Numa nota divulgada à imprensa, a Alta Representante da União para a Política Externa, Federica Mogherini, salienta que a UE “acolhe e apoia a retoma das conversações, em Barbados, mediadas pelo Governo da Noruega”, vincando que este “deve continuar a ser o principal canal para acabar com a crise” na Venezuela.

“A UE apela a um genuíno compromisso e à flexibilidade necessária para alcançar um resultado urgente que possibilite a realização de eleições transparentes e monitorizadas a nível internacional, a restituição dos poderes públicos relevantes e que estabeleça a base para a reconciliação nacional e a recuperação económica”, sublinha a chefe da diplomacia europeia.

Porém, avisa: “Caso não haja resultados concretos das negociações em curso, a UE irá expandir ainda mais as suas medidas específicas”.

Federica Mogherini ressalva que estas medidas, na forma de sanções, “poderão ser revertidas no caso de progressos substanciais em direção à restauração da democracia, do Estado de direito e dos direitos humanos na Venezuela”.

Ao mesmo tempo, “a UE salienta a necessidade de uma maior coordenação entre todos os intervenientes internacionais no apoio ao trabalho em curso […] tendo em vista a realização de eleições livres e justas”, adianta a responsável, indicando que a União manterá “os seus esforços”, nomeadamente através do Grupo de Contacto Internacional.

Na segunda-feira, o Governo da Venezuela e a oposição retomaram as conversações.

Através da rede social Twitter, o ministro da Informação venezuelano, Jorge Rodrigues, informou que chegou com a restante delegação governamental à nação caribenha de Barbados, onde na semana passada já decorreram diversos dias de conversações.

Rodriguez foi, designadamente, acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, e pelo governador do estado de Miranda, Hector Rodriguez.

O chefe negociador da oposição, Stalin González, tinha previamente confirmado que a sua delegação se encontrava de regresso a Barbados para as conversações mediadas pela Noruega.

A oposição, apoiada pelos Estados Unidos, pretende o afastamento do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que recusa abandonar o cargo.

A Venezuela atravessa um período de grande tensão política desde janeiro, quando Maduro jurou um segundo mandato de seis anos, não reconhecido pela oposição e por cerca de 50 países pelo facto de os principais líderes opositores terem sido impedidos de participar nas eleições presidenciais.

Em resposta, o líder do parlamento, Juan Guaidó, autoproclamou-se presidente interino, alegando diversos artigos da Constituição venezuelana.