Nicolás Maduro pede à Europa, Ásia e Oceânia que exijam fim de “agressões” norte-americanas

Lusa

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu hoje aos países da região, da Europa, da Ásia e da Oceânia que exijam o fim das "agressões" norte-americanas contra o povo venezuelano.

"Fa√ßo um apelo aos chefes de Estado do mundo para que gritem: Basta j√° de agress√Ķes do imperialismo norte-americano contra o povo da Venezuela", disse.

O pedido tem lugar um dia depois de os EUA sancionarem 34 embarca√ß√Ķes e duas empresas que transportavam petr√≥leo venezuelano para Cuba.

"Chegaram a um momento de loucura e √≥dio e todos os dias se dedicam a atacar e agredir a Venezuela. O povo n√£o merece tanta agress√£o e √≥dio, merece respeito. Continuaremos derrotando-o (Donald Trump) e as suas san√ß√Ķes uma e mil vezes", disse.

Nicol√°s Maduro falava no pal√°cio presidencial de Miraflores, em Caracas, para milhares de simpatizantes que hoje marcham em apoio ao "Plano da P√°tria", o seu programa de governo para o per√≠odo 2019-2025, que foi aprovado como lei constitucional na √ļltima semana pela Assembleia Constituinte (composta unicamente por simpatizantes do regime).

Durante a sua intervenção, Nicolás Maduro pediu ao México, Uruguai e outros governos das Caraíbas a retomarem os mecanismos para convocar a oposição para um diálogo.

"A Venezuela pede acompanhamento para um grande di√°logo de paz entre os venezuelanos", disse.

Por outro lado, instou os venezuelanos a que, depois dos grandes apag√Ķes que se registaram nas √ļltimas semanas, se preparem para novas falhas el√©tricas e a pouparem √°gua. Tamb√©m acusou o Chile e a Col√īmbia, de em conjunto com os EUA, atentarem contra o sistema el√©trico venezuelano.

"As investiga√ß√Ķes produziram nova informa√ß√£o: a introdu√ß√£o de v√≠rus no sistema el√©trico venezuelano. Ataques dirigidos desde Houston (EUA). E, descobrimos novas fontes de ataque, desde o Chile e a Col√īmbia, apoiados pelo Governo dos EUA, para danificar o sistema el√©trico venezuelano", disse.

No entanto, advertiu que a Venezuela está "perante uma verdadeira emergência elétrica nacional".

Insistiu que o povo deve manter a calma perante novos acontecimentos e pediu melhorias "na capacidade de armazenamento de água", para o caso de ser necessário "enfrentar um novo ataque ao sistema elétrico".

"Plano (programa) Tanque Azul (tanque grande de plástico de cor azul) para que todo o mundo tenha o seu tancão azul", disse fazendo alusão a um novo programa de distribuição de tanques de água para o povo.

Nicol√°s Maduro pediu ainda uma melhor organiza√ß√£o popular, ao n√≠vel das quadrilhas de paz: "√Č uma ordem que estou a dar √†s unidades de defesa integral. Devem unir-se para formar as quadrilhas de paz em todos os bairros e comunidades na defesa da p√°tria".

No passado fim-de-semana, os protestos por falta de luz e de √°gua chegaram ao pal√°cio presidencial de Miraflores.

A Venezuela encontra-se mergulhada numa crise econ√≥mica, social e pol√≠tica que se agudizou no in√≠cio deste ano, quando, em 10 de janeiro, Nicol√°s Maduro tomou posse como Presidente da Venezuela, para cumprir um segundo mandato de seis anos, ap√≥s umas elei√ß√Ķes n√£o reconhecidas pela oposi√ß√£o e pela maior parte da comunidade internacional.

No mesmo m√™s, o presidente do parlamento venezuelano e l√≠der da oposi√ß√£o, Juan Guaid√≥, autoproclamou-se Presidente interino do pa√≠s, com a inten√ß√£o de, a breve trecho, convocar "elei√ß√Ķes livres e transparentes".

Na Venezuela, os apag√Ķes el√©tricos s√£o cada vez mais frequentes e de maiores dimens√Ķes.

Em 07 de março, uma falha na barragem de El Guri (a principal do país) deixou a Venezuela às escuras durante uma semana.

J√° no dia √ļltimo dia 25, o pa√≠s, incluindo a capital, ficou novamente, na quase totalidade, durante pelo menos 72 horas, √†s escuras. Quatro dias depois, 21 dos 24 Estados da Venezuela estiveram sem eletricidade.