Brexit: May a caminho de Estrasburgo para discussões de última hora

Lusa

A primeira-ministra britânica, Theresa May, está a caminho de Estrasburgo para discussões de última hora com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, sobre o acordo de ‘Brexit’, anunciou hoje um porta-voz de Downing Street.

“A senhora May acaba de partir para Estrasburgo”, onde é esperada pelas 20:00 TMG (e de Lisboa), declarou o porta-voz, quando o Parlamento britânico se prepara para se pronunciar novamente, na terça-feira, sobre o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia (‘Brexit’) concluído por May com Bruxelas, depois de o ter rejeitado em meados de janeiro.

Na reunião - que será às 21:00 TMG, indicou por seu turno o porta-voz da Comissão, Margaritis Schinas, na rede social Twitter, e contará com a presença das equipas negociais de Londres e de Bruxelas, segundo fonte comunitária - Theresa May tentará obter alterações que clarifiquem alguns pontos do acordo de ‘Brexit’ concluído em novembro passado, referiu Downing Street.

Segundo fontes do grupo europarlamentar dos conservadores britânicos citadas pela agência noticiosa espanhola Efe, a reunião de May e Juncker deve-se a progressos feitos pelos serviços jurídicos de Londres e Bruxelas relativamente à redação e à interpretação jurídica da salvaguarda irlandesa no acordo do ‘Brexit’.

A Câmara dos Comuns rejeitou em janeiro o acordo por uma larga maioria de 230 votos, por entre críticas da ala mais eurocética do Partido Conservador ao mecanismo de salvaguarda concebido para evitar uma fronteira na Irlanda do Norte após a saída britânica da UE.

Os líderes da UE descartaram até agora reabrir o texto do acordo ou reduzir o alcance dessa salvaguarda que, na sua opinião, protege os acordos de paz de 1998 - que não permitem que se erija uma fronteira entre as duas Irlandas - e a integridade do mercado único.

Os eurocéticos britânicos creem, contudo, que esse mecanismo deixará o Reino Unido integrado nas estruturas da UE até que se assine um novo acordo comercial, o que pode levar anos, e isso dificultará a negociação de tratados comerciais com países terceiros.