Venezuela: População de Caracas faz longas filas para conseguir água de regatos

Lusa

Centenas de venezuelanos estão a recorrer a regatos para "afogar" o calor e se abastecerem de água, que deixou de chegar à casa dos caraquenhos, devido ao 'apagão' que afeta o país desde a passada quinta-feira.

Ao final da tarde de domingo (noite em Lisboa) a conhecida estrada Cota Mil, que une o leste com o oeste de Caracas pelo norte, registava quilómetros de viaturas em fila com pessoas à espera para encher garrafões de água, à altura de La Castellana (leste).

Além dos carros eram ainda visíveis grupos de dezenas de pessoas caminhando, com garrafões nas mãos, ao longo dos vários regatos, aos pés da montanha de Waraira Repano (também conhecida como El Ávila), enquanto crianças aproveitavam as poças para tomar banho.

"Com o apagão deixou de chegar água e as bombas do meu edifício não funcionam. Precisamos de água para cozinhar, para lavar a cozinha e até para tomar banho, por isso vim aqui. Estou há mais de uma hora à espera e vou ficar até encher os garrafões", explicou uma mulher à agência Lusa.

Acompanhada por dois filhos, Aída Ramírez queixou-se ainda que nos últimos tempos, mesmo com energia elétrica, o serviço de água é racionado no edifício onde vive, "porque não funciona constantemente".

"Imagine-se, se com luz não funciona, sem luz menos", desabafou.

Mas de imediato sublinhou: "Isto já não é vida, todos os dias passamos preocupados por algo, porque falta algum produto, porque podem roubar a bateria do carro, por que podem roubar-nos, porque não há autocarros e agora porque não há água nem eletricidade".

A Venezuela está às escuras desde a última quinta-feira, na sequência de uma avaria na central hidroelétrica de El Guri, a principal do país, que afetou ainda dois sistemas secundários e a linha central de transmissão.

Em Caracas, a eletricidade está a chegar a vários bairros, mas de forma intermitente.

O apagão afetou as comunicações fixas e móveis, os terminais de pagamentos e a Internet.