Guaidó e deputados opositores a Maduro viajam para a fronteira com a Colômbia

Lusa

Um grupo numeroso de deputados opositores do governo da Venezuela, liderado pelo Presidente interino, Juan Guaidó, viaja hoje de autocarro para a fronteira com a Colômbia, para preparar a entrada de ajuda humanitária no país, constataram jornalistas em Caracas.

Segundo a agência espanhola de Notícias EFE, pelo menos três autocarros com deputados opositores do regime de Nicolas Maduro estão hoje a viajar de Caracas para a fronteira oeste da Venezuela, para participarem na operação de entrada de medicamentos e alimentos da ajuda internacional oriunda dos EUA, na fronteira com a Colômbia.

Na comitiva, com cerca de cem pessoas, viaja Juan Guaidó, segundo um elemento da equipa do autoproclamado Presidente interino da Venezuela.

Os média venezuelanos reportaram que, entretanto, as autoridades policiais mandaram parar os autocarros, para verificar documentos e fazer fotografias, antes de os deixar seguir em direção à fronteira.

Na terça-feira, Juan Guaidó prometeu que no sábado fará entrar a ajuda humanitária em território vezuelanos, “por ar, por mar e por terra”, contornando o bloqueio determinado pelo governo de Nicolas Maduro, que afirmou não autorizar a ajuda humanitária oriunda dos EUA.

Hoje, o deputado Simón Calzadilla afirmou a uma estação televisiva venezuelana que Guaidó estará no comando da caravana que assegurará a entrada dos apoios internacionais.

"Tenha plena certeza de que no domingo centenas de milhares de venezuelanos receberão sua merecida ajuda humanitária e estaremos mais perto de começar a levar nosso país adiante", disse o parlamentar.

Uma parte da ajuda humanitária está armazenada em Cúcuta, na Colômbia, e os deputados da oposição querem introduzi-la na Venezuela, no sábado, numa operação que mobilizará milhares de cidadãos.

Nicolas Maduro recusa receber essa ajuda, oriunda dos EUA, dizendo que é “um presente podre” e uma “armadilha”, para justificar uma intervenção militar norte-americana na Venezuela.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.