Venezuela: Instituto de Imprensa registou 12 casos de violação à liberdade de expressão em 15 dias

Lusa

O Instituto de Imprensa e Sociedade da Venezuela (IPYS na sigla em castelhano) registou 12 casos de violação à liberdade de expressão e informação na Venezuela, nos primeiros 15 dias deste ano, foi hoje anunciado.

“O ano de 2019 começou com 12 casos de violações ao exercício do jornalismo na Venezuela. Durante as duas primeiras semanas de janeiro, o uso abusivo dos organismos de segurança do Estado resultou na detenção arbitrária das jornalistas Beatriz Adrián, do canal colombiano Caracol Notícias, e Osmary Hernández, da CNN, na Área Metropolitana de Caracas", explica o IPYS.

Num balanço enviado à agência, o IPYS sublinha que "as autoridades policiais do Estado venezuelano de Bolívar também detiveram, durante três horas, a jornalista Yusbeyris Letidel, do jornal regional Primícia, quanto chegava a casa".

"Os ataques a repórteres ocorreram também no estado de Lara. Um funcionário da Polícia Nacional Bolivariana atacou o fotojornalista Júlio Colmenarez do [jornal] El Informador, enquanto cobria um protesto de professores, na quinta-feira, 10 de janeiro", precisa o documento.

Segundo o IPYS, desde 09 de janeiro, um dia antes de Nicolás Maduro ter assumido um novo mandato presidencial, "fizeram sentir-se as agressões".

"No Estado de Zúlia oficiais da Guarda Nacional Bolivariana [polícia militar] ameaçaram vários jornalistas que cobriam protestos no mercado de Las Pulgas, em Maracaibo. O jornalista dinamarquês Kristoffer Toft denunciou que funcionários dos serviços secretos impediram o seu regresso ao país, pelo Aeroporto Internacional de Maiquetía [norte de Caracas]", adianta o instituto.

Acresce que em 033 de janeiro, a polícia agrediu o jornalista Luís Lopez, do jornal La Verdad, de Maracaibo, quando cobria um protesto devido à falta de água no Estado venezuelano de Vargas. e em Mérida a polícia regional impediu o jornalista Horácio Rondón de fazer a cobertura de uma ação de desobstrução de uma via.

O IPYS afirma ter constado que em 2018 "o abuso de poder estatal, e a redução de espaços informativos e de opinião nos meios impressos, assim como limitações aos direitos digitais foram as restrições que mais violaram as liberdades informativas".

Os dados mostram que "em 2018 as restrições ao trabalho jornalístico incluíram a paralisação de pelo menos 33 jornais e a cessação total das operações de dez jornais impressos".

"As rádios e televisões viram nove medidas de controle de conteúdo, a suspensão de programas e de estações por ordem da Comissão Nacional de Telecomunicações, a entidade reguladora, que também censurou a estação de televisão alemã Deutsche Welle (DW) pela transmissão de um documentário sobre a situação na Venezuela", explica.

O IPYS diz ter registado, em matéria de direitos digitais, "pelo menos 52 violações à liberdade de expressão na internet" que envolveram cinco processos judiciais e detenções arbitrárias por delitos da Lei Contra o Ódio.

O portal de jornalismo de investigação armando.info foi alvo de censura judicial e administrativa, levando a que "quatro dos seus jornalistas se encontrem no exílio".

"Outras restrições foram a proibição de saída do país e a retenção de passaporte dos jornalistas Isnardo bravo e Nelson Bocaranda, que dirigem meios digitais", sublinha aquele organismo.

"O sistema de monitorização desta organização constatou 16 casos de desconexão por falhas nos serviços de internet e bloqueios (…). Foi assim que os portais informativos El Pitazo, armando.info, El Nacional, La Patilla e Cactus24 foram bloqueados por operadores privados e estatais", explica.