Governo britânico desaconselha viagens para a Venezuela devido à criminalidade

Lusa

“O Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Commonwealth (FCO, na sigla inglesa) desaconselha todas as viagens exceto as essenciais para a Venezuela, devido à criminalidade e à instabilidade em curso, ”, lê-se no ‘site’ do Governo britânico.

O Governo britânico desaconselhou hoje os seus cidadãos de viajarem para a Venezuela exceto se estritamente necessário, na véspera do início do segundo mandato presidencial de Nicolás Maduro, devido à criminalidade e instabilidade que se vive naquele país.Àqueles que estão na Venezuela, o FCO aconselha que se mantenham afastados das fronteiras com a Colômbia (pelo menos 80 quilómetros) e o Brasil (pelo menos 40 quilómetros), porque ali atuam traficantes de droga e grupos armados ilegais e existe “o risco de sequestro”.

O ministério sugere ainda que os cidadãos britânicos naquele país da América Latina “vão atualizando as opções de partida”, tendo em conta que “se a situação política se agravar, a embaixada britânica poderá estar limitada quanto à assistência que poderá prestar”.

“O Presidente Maduro iniciará um novo mandato presidencial [de seis anos] a 10 de janeiro de 2019. Devem manter-se atentos e informados durante este período”, sublinha o executivo britânico, instando os seus nacionais a “evitar protestos e manifestações, que podem tornar-se violentos sem aviso prévio”.

“Durante ou antes de manifestações, verificam-se muitas vezes cancelamentos de voos em resultado do encerramento de estradas. As autoridades utilizam frequentemente gás lacrimogéneo e balas de borracha para dispersar protestos. Em caso de repetidos protestos prolongados, devem tomar precauções no sentido de garantir provisões de comida e água para vários dias”, indica o FCO.

“Existe uma ameaça elevada de crime violento e sequestro em toda a Venezuela. Tomem sempre cuidado, incluindo à chegada ao país”, lê-se igualmente na página oficial.

O executivo britânico refere ainda que “são comuns os cortes de energia elétrica” e que os viajantes poderão confrontar-se com “falta de água ou eletricidade por períodos curtos ou longos de tempo”, existindo também “faltas intermitentes de combustível para automóveis em toda a Venezuela, incluindo em Caracas”.

Há ainda “falta de dinheiro em papel, o que levou a um aumento da pressão sobre as infraestruturas de processamento de pagamentos com cartão”, pelo que “as transações com cartões de crédito poderão ser mais demoradas que o esperado ou requerer diversas tentativas”.

O MNE britânico indica ainda que “tem havido relatos recentes de pedidos de suborno por parte das autoridades no Aeroporto Internacional de Maiquetia (Caracas), que “as autoridades sanitárias do Reino Unido classificaram a Venezuela como tendo risco de transmissão do vírus Zika” e que “não pode ser excluída a hipótese de ocorrência de atentados terroristas” no país.

Nicolás Maduro toma posse na quinta-feira para um segundo mandato presidencial de seis anos com uma suspeita de ilegitimidade que faz prever um maior isolamento internacional, num país mergulhado na pior crise económica e social da sua história recente.

Maduro prestará juramento no Supremo Tribunal Eleitoral, e não no parlamento, única instituição controlada pela oposição, após uma reeleição a 20 de maio cujos resultados são contestados pela oposição, a União Europeia, os Estados Unidos, o Canadá e 12 países da América Latina.