Refugiados venezuelanos criticam falta de ajuda do Governo brasileiro

Lusa

Muitos dos refugiados venezuelanos que moram em Boa Vista, capital do estado brasileiro de Roraima, afirmam-se desiludidos com o governo do Brasil e exisgem a ajuda humanitária prometida.

Habitando em casas precárias improvisadas na Praça Simón Bolívar, cerca de 700 pessoas vivem dias difíceis, sem comida, acesso a casas de banho ou água, procurando apenas proteger-se do calor.

"O Governo do Brasil, o Presidente e os ministros vem aqui falar, mas nunca fazem nada para os venezuelanos que estão vivendo numa situação de rua. Já vi ministros virem aqui falar, mas nunca ninguém faz nada pelos venezuelanos. Eles dizem que te dão refúgio, mas isto não é um refúgio. Eles tiram alguns daqui para atirar ali", criticou Javier Elias Leon, guia turístico de 47 anos, que vive no país há dois anos.

Nos últimos meses as cidades fronteiriças de Roraima e sua capital toraram-se no lar de uma população estimada entre 30 mil e 60 mil imigrantes que procuram fugir da grave crise social e económica na Venezuela.

Javier Elias Leon já tentou voltar algumas vezes ao seu país de origem mas a crise económica não lhe permite ter um futuro no local onde nasceu.

Angel José Sandoval, militar reformado de 47 anos, é um dos lideres que organizam as atividades na praça: atualiza uma lista com os nomes e dados de todos os venezuelanos que dormem no local e organiza o acesso aos bens doados.

"Estamos frustrados, dececionados porque vimos que o Governo nos ofereceu uma ajuda, mas tudo acabou só sendo uma promessa. Sabemos e entendemos que não somos brasileiros e não podemos exigir nada aqui, mas as leis internacionais nos protegem e creio que deveríamos receber esta ajuda que estamos a espera", explicou.

Já Cristian Rodrigues, engenheiro civil de 40 anos, chegou ao Brasil há pouco mais de uma semana e disse estar mais desesperado do que frustrado, porque quer muito obter um emprego.

"Estamos desesperados para solucionar nosso problema, mas não é fácil porque estamos entrando em um país com leis muito distintas das nossas. Sei que temos que ter um pouco de paciência com o protocolo e com a documentação, mas queremos a mesma liberdade que têm os brasileiros tem de conseguir um trabalho sem sermos renegados" , frisou.

Em fevereiro, o Presidente do Brasil, Michel Temer, visitou Boa Vista e anunciou a criação de um comité para ajudar os imigrantes venezuelanos. Na ocasião, disse que "não faltariam recursos para solucionar a questão".

"Não descansarei enquanto não resolver os problemas de Roraima", declarou o Presidente brasileiro.

No entanto, os venezuelanos que moram nas ruas da cidade disseram não ter recebido nenhuma ajuda. E nem mesmo as doações de comida são distribuídas com regularidade na praça Simón Bolívar.

Os problemas sociais têm provocado o aumento da insegurança, com confrontos regulares entre os refugiados e com os moradores locais.

Entre os imigrante, existe "um grupo de desordenados, desadaptados e de pilantras aqui na Praça Bolívar, mas temos um grupo maioritária de gente honesta e trabalhadora aqui", concluiu Sandoval.