Venezuela: S&P atribui classificação de 'default' a novo atraso de pagamentos ao exterior

Lusa

A falta de pagamento pela Venezuela de duas prestações relativas a empréstimos contraídos em 2015 e 2016, levou a agência de 'rating' Standard & Poor's (S&P) a anunciar hoje que o país está em ‘default’.

Em causa está a falta no pagamento de 237 milhões de dólares (200 milhões de euros) de obrigações relativas a empréstimos contraídos em 2015 e 2016, bem como o incumprimento do período de graça de 30 dias para efetuar o (respetivo) reembolso, explica a agência em comunicado.

A demora levou a S&P a "baixar a classificação para esses dois títulos" para "D", o que, indica que houve incumprimento (‘default’).

No passado dia 14 de novembro, a S&P já tinha baixado a classificação da Venezuela, a longo e curto prazo, em moeda estrangeira, de "CC/C", moratória com pequena expectativa de recuperação, para "SD/D", 'default' ou incumprimento seletivo.

A medida, segundo a S&P, deveu-se à falta de pagamento de 200 milhões de dólares (170 milhões de euros) de títulos globais, uma vez vencido o período de graça de 30 dias, o que poderia desencadear um incumprimento nos pagamentos da sua dívida externa, nos próximos três meses.

"Baixamos duas classificações para 'D' ('default') e baixamos a classificação da dívida soberana em moeda estrangeira a longo prazo para 'SD' (default parcial)", explicou a empresa num comunicado da S&P.

A queda na classificação ocorreu depois de o Governo venezuelano convocar os portadores de títulos de dívida do Estado e da empresa estatal Petróleos da Venezuela SA (PDVSA), para uma reunião com o propósito de reestruturar e refinanciar a dívida.

Na reunião, que segundo a imprensa local teve a participação de uma centena de credores, durou apenas 30 minutos e concluiu sem a apresentação de propostas de reestruturação e refinanciamento dos títulos de dívida venezuelanos, e sem que os participantes tivessem tido a oportunidade de fazer perguntas.

No entanto, um comunicado do Governo venezuelano, divulgado nesse mesmo dia, dava conta de que a Venezuela tinha iniciado com êxito o processo de reestruturação da sua dívida externa, solicitado pelo Presidente Nicolás Maduro.

O comunicado faz referência aos resultados da reunião entre a Comissão Presidencial para a reestruturação da dívida e detentores dos títulos de dívida do Estado venezuelano e da empresa estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA).

"Classificamos a reunião, em que participaram detentores da dívida venezuelana provenientes da Venezuela, Estados Unidos, Panamá, Inglaterra, Portugal, Colômbia, Chile, Argentina, Japão e Alemanha, como altamente positiva e muito auspiciosa", sublinha-se no documento.