Cônsul-geral de Portugal e Fórum Português em Thembisa

José Luís da Silva, correspondente em Joanesburgo (África do Sul)

Graça da Fonseca ,Cônsul-Geral de Portugal em Joanesburgo acompanhada pelo adido social Dr Diogo Franco e pelo presidente do Fórum Português, Manuel Ferreirinha, visitaram Thembisa, uma “township” criada em 1957 pelo governo do “apartheid” para reassentamento de pessoas de negras então residentes nos bairros e Alexandra, Edenvale, Kempton Park, Midrand e Germiston uma área de 42,80 Km2 com uma densidade populacional de 11.000 pessoas por quilómetro quadrado situada a norte da cidade de Kempton Park, no Rand Oriental.

A visita teve início com uma sessão de boas vindas por parte do diretor do Fórum de Polícia Comunitário (CPF sigla em inglês) e por R. Mokoena comandante da esquadra da polícia local. Durante a reunião que durou 1 hora foram abordados assuntos de interesse comum numa troca de impressões que foi bastante demonstrativa do bom entendimento e colaboração existente entre o Fórum Português e as autoridades policiais, o que surpreendeu pela positiva a Cônsul-Geral e o Adido Social.

Seguiu-se uma visita demorada pelas instalações daquela importante esquadra de polícia onde puderam ser explicados o funcionamento de equipamento moderno e também uma visita às instalações do CPF que tem um relacionamento muito estreito com o Fórum Português desde há muito anos a esta parte.

Foi feita uma exibição de ordem unida por um grupo de recrutas feminino. Presente nesta visita o vice-presidente do Fórum Português, André da Costa, um jovem agricultor premiado pelo governo sul africano, com as suas raízes na Ponta do Pargo, Madeira que fez uma oferta de 200 parcelas de géneros alimentícios, gesto bastante apreciado a avaliar pela calorosa e sentida salva de palmas que recebeu dos recipientes. A visita teve continuidade onde os visitantes se dirigiram para contactar com comerciantes portugueses que foram forçados a encerrar os seus estabelecimentos duramente os tumultos que se constataram em julho passado na África do Sul.

Com estes comerciantes, Graça da Fonseca, procurou inteirar-se em primeira mão qual o estado de espírito, após terem feito aos distúrbios e quais as suas perspetivas para o futuro, o que foi respondido na linguagem simples mas explanatória as dificuldades e perigos sofridos e a esperança de puderem prosseguir normalmente. Manifestaram o seu apreço às forças policiais e do exército pela maneira pronta como reagiram às chamadas de ajuda onde evitaram danos maiores e dizem-se muito agradecidos, apesar de alguns dos seus estabelecimentos da companhia “The Roots”, 20 no total terem sido saqueados e incendiados.

A vista teve continuidade para o supermercado “Evergreen”, um espaço muito amplo que serve a comunidade local, mas que devido aos preços praticados, desde há muito tempo que residentes noutros locais ali se dirigem para adquirir bens alimentares não só devido aos preços praticados mas pela variedade e quantidades armazenadas. A superfície deste estabelecimento é de 22 000 m2 cuja construção orçou em 26 milhões de randes. Para uma ideia da grandeza, o talho armazena atualmente 136 toneladas de carnes. Um proprietários, John Pereira, tem as raízes no Estreito da Calheta por parte do pai e Ponta do Pargo por parte da mãe.

À Cônsul-geral enunciou algumas das ações da sua responsabilidade social para com os mais necessitados de Thembisa, e não só preconizando a ideia de que é justo receber e dar à comunidade criando laços de amizade e respeito mútuo algo que lhes valeu muito, muito mesmo nas horas e dias de tribulação pela insurreição violenta de julho em que um grande número de residentes de Thembisa defendeu o seu estabelecimento com as forças policiais auxiliadas pelo exército. Tem intenção de continuar na África do Sul e prepara-se para abrir outros estabelecimentos em diferentes partes do país. Graça da Fonseca no termo da visita dirigiu-se aos empresários dando manifesto do seu regozijo pela atitude positiva patenteada e teceu os melhores encómios por poder constatar que a responsabilidade social destes empresários não anda por mãos alheias o que constitui uma mais valia e para engradecer o bom nome da comunidade portuguesa.