Unidos pela recuperação da Venezuela

Marco António Sousa

Conferência ‘Liberdade, Democracia e Liderança’ na Venezuela, serviu para unir os venezuelanos e luso-venezuelanos que se encontram na Madeira a debaterem o que levou o país à situação atual e a encontrarem possíveis soluções para o reerguer.

Debater a ‘Liberdade, Democracia e Liderança’ na Venezuela foi o mote para uma conferência que decorreu ontem na sala de Senado da Universidade da Madeira e permitiu abordar a delicada situação que se vive na Venezuela – quer em termos políticos, quer em termos sociais.

Ana Cristina Monteiro, deputada na Assembleia Legislativa da Madeira e presidente da Venecom (associação que organizou esta iniciativa), considera que “todos nós, como defensores da democracia e da liberdade, devemos apelar à libertação da Venezuela”.

No discurso de abertura desta conferência informativa, a lusodescendente recordou os antepassados que emigraram desde a Madeira até ao país sul-americano. Agora, a história inverte-se, e devido ao momento delicado que se vive na Venezuela, a Madeira tem sido um dos lugares onde vários venezuelanos têm procurado refúgio.

Nesta iniciativa, Manuela Garcia Mendez, jornalista luso-venezuelana, apresenta parte da sua investigação sobre a crise neste país e como o país mais rico da América Latina converteu-se num país pobre.

A jornalista recordou a Venezuela como o país com maiores reservas de petróleo do mundo, lamentou os 8.1 milhões de desempregados que existem em terras de Simón Bolívar, entre outras situações.

“Temos o melhor país”

“Estou certa que em teoria temos o melhor país, um país com pessoas talentosas e maravilhosas, mas que também nos retirou oportunidades. Cada venezuelano que teve que emigrar levou um bocado do país no seu coração”, terminava, visivelmente emocionada.

Já David Placer, jornalista e autor de “Los brujos de Chávez” e “O ditador e seus demónios” veio contar a sua história, após ter desvendado o lado negro de Chávez.

O jornalista venezuelano considera que para entender “todo o fenómeno do chavismo, há que entender também que são capazes de qualquer coisa, de acreditar em qualquer coisa”.

“Eles acreditam que isto [bruxaria] dá resultado, estão convencidos que mantêm o poder com toda essa bruxaria”, reforça.

Venezuela, “grande país para os portugueses”

Numa breve intervenção, Agostinho Silva, moderador da conferência, realçou o “grande país” que é a Venezuela, também “para Portugal e para os Portugueses”. No entanto, lamenta “alguma dificuldade” que as pessoas têm na Madeira em compreender.

Com um discurso otimista e focado na recuperação deste país sul-americano, o diretor do JM-Madeira diz que “deste lado do Atlântico há um povo, um país e uma nação – Portugal – que continua a acreditar na Venezuela”.

“A verdade é que nós acreditamos na Venezuela. Esperemos que existam soluções políticas e económicas que nos aproximem um pouco daquilo que foi o país”, remata.

O evento teve como objetivo final a redação de uma carta aberta à Venezuela.