Venezuela: Lusodescendente quer presidir o município de Chacao e reconstruir o país

Lusa

A lusodescendente Glória Pinho é candidata à presidência da câmara municipal de Chacao, uma das mais importantes de Caracas e onde reside um importante número de portugueses, nas eleições municipais de 21 de novembro.

Advogada, doutorada em Direito Constitucional e especializada em Direito Penal Internacional, Glória Pinho, quer defender os direitos dos comerciantes, reativar a economia local e reconstruir a Venezuela.

“Sou candidata independente à câmara municipal de Chacao. Não pertenço a nenhum partido político, mas tenho o apoio da Aliança Democrática (composta por 11 partidos políticos venezuelanos) e um partido que se chama Soluções”, explicou.

Pinho falava à Lusa, no Mercado Municipal de Chacao, onde ouviu as preocupações de comerciantes.

“Há mais de 20 anos que moro neste município e tenho vivido os problemas da comunidade (…) Há uma política em que o dinheiro vai parar à algibeira, mas não se usa para beneficiar a população nem o município. Por isso apresentei a minha candidatura”, explicou a lusodescendente.

Questionada sobre o que fará se presidir o município, replicou que “a pergunta deveria ser o que é que não farei, (porque) eu vou fazer muitas coisas”.

“A primeira delas resolver a recolha do lixo, que é o maior problema do município e do qual os comerciantes e empresários se queixam. É um problema muito grande porque muitos deles tiveram inclusive que fechar as portas porque não podem pagar as grandes quantias de dinheiro que lhes cobram”, disse.

Sublinhou ainda que irá “ajudar todos os comerciantes e empresários, porque há que reativar a economia do município”. Também que projetos na área da saúde, da juventude e “da segurança que é muito má no município. Não há polícias na rua, porque não lhes pagam bem e falta-lhes motivação para trabalhar”.

“Preciso do apoio de toda a comunidade luso-venezuelana, mas não em dinheiro, fazendo publicidade (da candidatura), porque quem governa o município atualmente tem muito dinheiro, está a abarcar muitas forças na rua, mas forças do seu partido, não da vizinhança”, explicou.

Questionada sobre as dúvidas de algumas pessoas quanto a participar nas eleições, explicou que estão na Venezuela sempre dizem que o organismo eleitoral não é transparente e defendem a abstenção.

“Eu digo a essas pessoas que se lembrem das épocas dos ‘adecos’ (de Ação Democrática), dos ‘copeyanos’ (do partido cristão Copei), do ‘chiripero’ (coligação Convergência Nacional), que os organismos sempre estiveram ‘tomados’ (controlados) pelos governos da altura”, disse.

Por isso questiona “qual é a diferença entre o Governo atual e os outros? Que tem mais de 20 anos (no poder)?” e insiste que “há que votar porque é a única maneira de conseguir um câmbio”.

Por outro lado, explicou que uma vez eleita, vai manter o seu programa “Assim são as coisas” no canal de televisão internacional Venevisión Plus, mas que suspenderá temporariamente a profissão de advogada.

Diz que é preciso mudar mentalidades para que as pessoas não estejam sempre à espera do que o Governo lhes irá dar.

“O Governo não tem que dar nada, tem que ensinar a pescar, não a dar o peixe, tem que ajudar as pessoas na educação e implementar a vocação do trabalho (…) Há muita gente que não quer trabalhar por estar à espera de obséquios, de dinheiro, das bolsas de alimentos. Temos que conscientizar os cidadãos que têm que ir trabalhar”, defendeu.

A candidata sublinhou que “os portugueses sabem disso” porque estão habituados a trabalhar, “e conseguem ter sucesso, progredir, porque trabalham”.

“Apelo à comunidade luso-venezuelana que participe nas eleições”, disse destacando o aporte das comunidades lusa, italiana e espanhola, ao desenvolvimento local, mas lamentando que “muitos tenham emigrado”

“Apelo a que regressem e comecemos de novo a reconstruir a Venezuela”, frisou.