Líder da oposição na África do Sul chama "heróis" aos que participaram nos tumultos de julho

O líder da Aliança Democrática (DA), na oposição na África do Sul, classificou hoje de "heróis" os sul-africanos que se insurgiram em julho contra o governo, nos tumultos que fizeram mais de 30 mortos só em Phoenix.

"Nunca pedirei desculpa por chamar heróis aos sul-africanos comuns que defenderam a lei e a ordem", disse o líder da Aliança Democrática (DA), John Steenhuisen, aos jornalistas, durante uma visita de campanha a Midrand, perto de Joanesburgo, no âmbito das eleições locais de 1 de novembro, nas quais serão eleitos os vereadores de mais de 25 municípios.

"Eles são heróis, sejam negros, indianos brancos ou de cor, porque chegaram-se à frente quando o Governo se pôs de lado", disse, referindo-se aos habitantes que protegeram as suas propriedades durante a violência.

As declarações do líder da DA surgem depois de o partido ter colocado dois cartazes, em que num lê-se "O ANC [Congresso Nacional Africano, no poder] chamou-vos racistas" e noutro "A DA chama-vos heróis", numa referência aos sul-africanos de ascendência indiana que pegaram em armas para proteger os seus negócios face aos violentos protestos que eclodiram no princípio de julho, no seguimento da detenção de Jacob Zuma.

Os cartazes foram colocados em Phoenix, uma cidade onde cerca de 30 sul-africanos negros foram mortos durante os motins de julho, alegadamente por sul-africanos de origem indiana que terão defendido as suas propriedades comerciais, que estavam a ser vandalizadas.

Os confrontos redundaram em mais de 350 mortos no início de julho em várias cidades como Joanesburgo, Pretória e foram inicialmente desencadeados pela prisão do antigo presidente Jacob Zuma, mas o atual chefe de Estado, Cyril Ramaphosa, considerou que se tratava de uma operação nacional para desestabilizar o país.

A polícia foi atacada em várias cidades e, em Phoenix, a população, na sua maioria de origem indiana, pegou em armas para defender a sua cidade e os seus negócios, gerando uma onda de violência que causou 36 mortos, na sua maioria negros, e alimentando as tensões raciais que ainda subsistem quase 30 anos depois do fim do regime de segregação racial, de acordo com a agência francesa de notícias, a AFP.