Bloqueadas entradas e saídas da capital da Venezuela devido ao aumento de casos

Lusa

As rotas de entrada e saída da cidade de Caracas amanheceram hoje com reforçada presença policial com as autoridades a exigir um salvo um salvo-conduto aos motoristas para acederem à capital da Venezuela.

As restrições à circulação verificam-se depois de nas últimas semanas a Venezuela registar um aumento de novos casos da covid-19, 1.527 em apenas 24 horas, com as regiões de Caracas e o vizinho estado de Miranda a registarem temporariamente o maior número de mortes associadas ao coronavírus.

Fotos e vídeos distribuídos pelas redes sociais dão conta de operações ‘stop’ da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar) nos acessos à capital e também de longas filas de motoristas a tentar entrar e sair de Caracas, apesar das restrições à circulação.

Estas operações ‘stop’ decorrem em Tazón e impedem a circulação de e para o oeste do país e no Distribuidor Metropolitano, que liga a capital com o leste.

Também decorrem operações ‘stop’ na Pan-americana, em direção ao sul, e na autoestrada que liga Caracas a La Guaira, a norte, onde está situado o principal aeroporto do país.

As rádios locais dão conta de que em La Guaira foram dadas instruções para impedir o acesso da população às praias daquele estado e alguns estabelecimentos comerciais foram obrigados a manter as portas fechadas.

Desde março de 2020 que a Venezuela está em quarentena preventiva da covid-19 e atualmente tem um sistema de sete dias de flexibilização, seguidos de sete dias de confinamento rigoroso.

O país contabilizou 4.526 mortes e 374.859 casos de covid-19, desde o início da pandemia, de acordo com dados oficiais.

Com 427 casos, o estado venezuelano de Miranda foi a região do país com mais contágios em 24 horas, seguindo-se Caracas (406) e os estados de Lara (135), Nova Esparta (107) e La Guaira (62), entre outras.

Nos últimos sete meses, as autoridades venezuelanas tinham flexibilizado a circulação entre municípios do país.

As ligações aéreas comerciais internacionais de passageiros continuam restringidas no país, mas “de maneira excecional” são autorizadas “as operações de transporte de passageiros, carga e correio, entre a Venezuela e os países irmãos da Turquia, México, Panamá, República Dominicana, Bolívia e Rússia”.

Internamente, as autoridades já permitem a realização de voos aéreos de passageiros, entre aeroportos venezuelanos, mas apenas nas semanas de flexibilização da quarentena.

A covid-19 provocou pelo menos 4.805.049 mortes em todo o mundo, entre mais de 235,30 milhões infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em vários países.